A Segunda Pele
A Segunda Pele
A cidade de Dunlap, Kentucky, começou a sofrer uma estranha epidemia. Não uma doença comum, mas algo... errado.
As pessoas começaram a trocar de pele.
O pequeno Benny Cartwright foi o primeiro.
Sua mãe entrou no quarto e encontrou o menino sentado na cama, imóvel, tremendo. Seu pijama estava manchado de algo viscoso.
— "Benny? O que houve, querido?"
O garoto ergueu os olhos, mas algo estava errado. Sua pele parecia frouxa, ligeiramente deslocada, como se estivesse mal ajustada ao crânio.
Então, a mãe viu.
A pele de Benny estava caindo.
Ela escorregava de seus braços como um traje largo demais, descolando-se em flocos úmidos.
E por baixo dela...
Havia outra pele.
Mais velha. Mais gasta. De outra pessoa.
Nos dias seguintes, a cidade inteira começou a mudar.
Os vizinhos não pareciam mais os mesmos. Sorrisos surgiam largos demais, olhos não combinavam com os rostos.
Pessoas que haviam morrido anos atrás começaram a aparecer novamente.
— "Sr. Franklin? Mas... você teve um ataque cardíaco ano passado..."
— "Ora, querida. Foi só um susto."
Mas a voz dele estava errada.
A pele ao redor de seu pescoço estava ligeiramente descolada. Algo dentro se movia.
E então, uma noite, as luzes da cidade piscaram.
E quando voltaram... ninguém mais tinha o próprio rosto.
O xerife Malcolm Hayes tentou fugir.
Dirigiu até onde achava que era a saída da cidade, mas as estradas davam voltas impossíveis. Toda vez que passava por um espelho retrovisor, via algo diferente.
No reflexo, não era mais ele dirigindo.
Alguém vestia sua pele como uma roupa nova.
E então, ele sentiu.
A pele em suas mãos estava solta.
Seu rosto começou a escorregar.
O carro rodopiou. O mundo ficou escuro.
Quando ele abriu os olhos novamente...
Ele já não era mais Malcolm.
Ele era outro.
E ele sorriu com um rosto que nunca fora seu.