O Buraco na Pele
O Buraco na Pele
A primeira vez que Nathan notou o buraco, ele tinha o tamanho de uma picada de inseto, bem no meio de sua palma esquerda. Era estranho—não doía, não coçava, mas parecia fundo demais.
Ele ignorou. Mas na manhã seguinte, estava maior.
A pele ao redor não estava inflamada, nem havia sangue. Apenas… vazio. Como se sua mão tivesse sido perfurada e, ao invés de carne e osso, houvesse apenas um espaço que não deveria existir.
No terceiro dia, o buraco atravessava sua mão. Mas algo estava errado—ele colocou o dedo da outra mão para testá-lo, mas não sentiu nada.
Como se o espaço dentro dele não estivesse aqui.
Obcecado, Nathan começou a testar. Jogou dentro um pedaço de papel, um grão de arroz, até mesmo uma gota de água. Nada saía do outro lado. Tudo desaparecia.
Naquela noite, acordou sentindo um frio que vinha de dentro do buraco.
E então algo respondeu.
Não com palavras, mas com uma sensação. Uma presença que não deveria estar ali, algo vivo, do outro lado.
No espelho, viu sua mão levantada sem que tivesse movido. O buraco pulsava. Pequenos fios negros começaram a se esticar para fora, como raízes tentando crescer.
Então ele compreendeu.
O buraco não estava crescendo.
Era o mundo ao seu redor que estava encolhendo.
Cada objeto no seu apartamento começou a se curvar para ele. Como se fossem puxados, dobrados em direção ao buraco.
E então veio o som.
Um murmúrio que não era feito de palavras, mas de um idioma anterior ao som. Algo que sua mente não deveria entender, mas que mesmo assim ressoava dentro de seus pensamentos.
O buraco se abriu mais uma vez.
E Nathan finalmente viu o que morava do outro lado.
Na manhã seguinte, sua porta estava aberta.
Nathan havia desaparecido.
Mas na parede de seu apartamento, um buraco perfeito—negro, profundo e familiar—continuava a pulsar.
Esperando por outro alguém para olhar para dentro.