DIABOLICAMENTE PROIBIDOS

Estavam sob lençóis, nus, enroscados, intercalando o calor do corpo junto a um ritmo frenético de carícias e beijos. Logo em seguida, Luísa ficara ofegante, Patrick a penetrava com uma intensidade que suas vísceras pareciam pular para fora. As luzes estavam apagadas e não havia ninguém na casa além de Fernando, filho de Luísa do primeiro casamento. O menino dormia tão profundamente que não ouvia nada. A transa ardente de Luísa e Patrick durou até o amanhecer sob gemidos e sussurros incessantes. Tamanha era a química de ambos, mas não somente no sexo, Luísa e Patrick estavam apaixonados.

Na manhã seguinte, exatamente às 10:00 da manhã, o café estava posto à mesa e Patrick foi o último a descer. Luísa estava com um sorriso largo no rosto, enquanto Fernando, emburrado. O menino não quisera tomar café junto com o futuro padrasto , não o aceitava de forma alguma. A mãe se esforçava para entender, mas sem sucesso e frustrada, ainda assim prosseguia com o romance que meses depois já seria um casamento, pois Patrick já havia pedido Luísa em noivado.

Patrick era alto, musculoso, pardo e tinha um certo ar de mistério. Seu olhar sempre fora muito sério e intimador, talvez fora esse o motivo de Luísa ter se atraído, já que seu gosto por rapazes era um tanto excêntrico. Ninguém sabia muito sobre a vida de Patrick, nem mesmo a noiva. Quando Luísa tentava falar de assuntos passados, Patrick à cortava na mesma hora, a única coisa que sabia era que a ex-noiva dele havia morrido em um acidente de carro meses antes do casamento e que sua família morava em outra cidade, que era muito distante, por isso não tinha muito contato. Isso tudo foi contado no primeiro encontro, quando Patrick conheceu Luísa. Para ela, saber dessas informações parecia ser o suficiente, porém, no fundo a mesma ficava intrigada e desconfiada, mas o amor insistia em cegá-la.

Durante o café, Patrick falava de seu desejo de se mudar para sua antiga casa que ficava em um Vilarejo tranquilo, dizia ser o lugar perfeito para Fernando, já que havia muitos meninos da sua idade. Luísa num primeiro momento sentiu em ter que deixar sua casa, mas concordou com o noivo. Fernando ficara bastante irritado, mas ao mesmo tempo, pressentia que poderia ser uma moradia animadora, já que teria vizinhos da sua faixa etária.

Luísa e Patrick se mudaram no dia 20 de outubro de 1992, faltando basicamente um mês para o casório. Ao chegar na casa, Fernando sentiu um frio adentrar seu corpo, parecia ouvir vozes, ver vultos, mas de início não falara nada com a mãe. A casa tinha diversos cômodos, um deles era um porão que ninguém havia entrado além de Patrick. O casal se alojou no quarto do andar de cima deixando Fernando com o quarto do andar de baixo que ficava justamente próximo ao porão.

Exaustos da longa viagem que fizeram e com todas as bagagens, cada um foi para o seu quarto descansar, pelo menos era o que se esperava. Fernando dormira como sempre profundamente, enquanto no andar de cima Luísa e Patrick novamente caminhavam para uma transa fogosa, onde seus sussurros eram mais intensos. Parecia que a casa nova os dava um fôlego a mais. Enquanto no andar de cima a chama acendia cada vez mais, um barulho no andar de baixo como se fosse alguém batendo na porta foi ouvido por Fernando, o que não era comum, pois como de costume seu sono era pesado. O menino se levantou e logo na sua frente viu a imagem de uma mulher negra, de olhos esverdeados e luminosos vestida de noiva que dizia com uma voz macabra e um sorriso torto:

“Eles não podem se casar.”

A frase ecoou no ouvido de Fernando múltiplas vezes e já não aguentando a imagem daquela criatura na sua frente gritou alto:

“Mamaaaaãe!”

Luísa imediatamente interrompeu a transa, vestiu a roupa e desceu as escadas rapidamente em direção ao quarto do filho. Chegando lá, Fernando estava trêmulo , suas mãos tapavam os ouvidos e seu choro era de soluçar. A mãe perguntara o que havia acontecido e ele contou detalhadamente, mas tudo foi em vão, dizia ela que aquilo poderia ser apenas coisas da mente, um pesadelo ou algo do gênero. Luísa voltou para o seu quarto e já sem clima para nada, pôs-se a dormir. Patrick bastante enfurecido fez o mesmo.

Durante o sono, já na madrugada, Luísa se contorcia feito uma serpente, Patrick perguntava o que estava acontecendo e ela dizia que sua garganta estava doendo. Levantou, foi ao banheiro e percebeu uma imagem por detrás do espelho enquanto tocava sua garganta, parecia que algo estava sufocando-a. Foi até a cozinha, tomou um remédio e ao subir as escadas foi empurrada por algo invisível. Caída no chão, sentiu como se fosse uma garra de animal tocarem seus ombros e uma voz que dizia:

“Você não vai se casar com ele. Maldita!”

Luísa bastante assustada correu em direção ao quarto do filho e uma cena a chamara a atenção, Fernando estava sentado em sua escrivaninha desenhando algo. Luísa exclamou:

“Filho, vem dormir com a mamãe!”

Fernando nada respondia e aos poucos Luísa ia se aproximando quando finalmente se deparou com o desenho do Filho, desenhara a mulher que havia visto: negra, olhar esverdeado e luminoso, vestida de noiva e garras gigantescas. Fernando dizia:

“Ela vai nos matar, mamãe. O Patrick é mau.”
Luísa agarrou seu filho e ficara por minutos ali, no fundo ela sabia que havia algo de muito errado naquela casa e foi de repente, quando Luísa e Fernando ouviram um novo barulho, dessa vez, vindo do porão. Bastante assustado, Fernando dizia:

“É ela, mamãe, é ela.”

Luísa pôs seu filho na cama e disse para que ficasse ali, que não saísse de forma alguma e foi até o porão. Misteriosamente, chegando lá, a porta do porão estava entreaberta e com passos lentos e vagarosamente Luísa foi desvendado a entrada ao som de dobradiças enferrujadas. Havia uma escada que dava na parte de baixo e conforme Luísa ia descendo, um odor horrível adentrava suas narinas, era tão forte que Luísa chegou a vomitar. Continuou descendo e algumas fotografias que estavam sobre uma mesa a chamara atenção. Nas fotos ela via Patrick com sua ex-noiva, eram fotografias de casamento. Luísa ficara perplexa e aos poucos ia juntando as peças de um estranho quebra cabeça em sua mente. Patrick havia mentido, pois havia dito que a noiva morreu antes do casório. Enfurecida por ter sido enganada e bastante enojada pelo odor forte daquele porão, Luísa decidiu sair do porão e da vida de Patrick, mas era tarde demais.

Conforme Luísa andava pelo porão, o odor aumentava, era um odor que vinha de um freezer, curiosa, Luísa decidi abrir o freezer e uma cena grotesca acabara de presenciar. Restos mortais havia lá dentro.

Tudo aconteceu no inverno de Agosto de 1985. Caroline, a esposa de Patrick, estava em casa à sua espera. Naquele dia uma forte tempestade havia tomado todo o Vilarejo, dificultando as passagens nas estradas. Patrick costumava chegar em casa por volta das 19:00 da noite, chegando naquele dia às 23:00. Caroline havia ligado diversas vezes, mesmo sabendo que o marido estava enfrentando uma forte tempestade no caminho. Caroline era uma mulher bastante incompreensiva e obsessiva, motivo das brigas constantes do casal e naquela noite quando Patrick chegou não foi diferente. Sob gritos de desconfiança Caroline foi para cima de Patrick o agredindo e tomado por uma fúria grotesca, Patrick foi até a cozinha, pegou uma faca e acabara esfaqueando Caroline. Foram 30 facadas e 5 coronhadas no crânio. Sem saber o que fazer com o corpo e não querendo deixar pistas, Patrick pegou o corpo de Caroline e pôs no freezer que havia no porão de casa. Em seguida, limpou toda a cena do crime. Caroline não tinha parentes vivos e a invenção para os vizinhos foi que a esposa havia morrido num acidente naquela noite de tempestade. Depois de três dias, Patrick mudou de cidade deixando a casa totalmente trancada e sob a vista grossa de um melhor amigo, para que ninguém entrasse e suspeitasse de nada. Foi um crime quase perfeito.

Luísa ao se deparar com tamanha atrocidade, correu para o quarto do filho e exclamou:

“Arrume suas coisas e vamos embora daqui agora!”

Antes mesmo de arrumar as malas, Luísa sentiu algo sussurrar em seu ouvido esquerdo e quando se virou se deparou com a mulher vestida de noiva agarrando em seu pescoço sufocando-a. Fernando desesperado tentou ajudar a mãe, mas foi jogado contra a parede pelo espírito obsessivo de Caroline. Era ela, já não havia dúvidas. O espírito continuo a sufocar Luísa até a morte e Fernando com o impacto da batida contra a parede também acabara morrendo.

Patrick estava no quarto em seu sono profundo, ainda nu, apenas com os lençóis o cobrindo. A porta do quarto foi sendo aberta lentamente. O espírito foi se aproximado e se deitou ao lado de Patrick, ele, imaginando que fosse Luísa, continuo a dormir, quando de repente sente como se fosse uma facada em suas costas. O espírito de Caroline o matara com suas garras e com uma voz macabra disse:

“Enfim, poderei descansar em paz, querido, pois todos os teus romances estão diabolicamente proibidos.”

- Francielly Fernandes
Francielly Fernandes
Enviado por Francielly Fernandes em 08/05/2020
Reeditado em 24/05/2020
Código do texto: T6941392
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