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MINI CONTO DE TERROR - O MÉDICO DO 4° ANDAR - A GAROTINHA - PARTE III

“Que dia cansativo foi hoje...” pensei a caminho do hospital. Eu não sou jovem mais. É  de fato triste não fazer mais as coisas como antigamente, então eu tenho sempre que ir no hospital para fazer alguns exames de rotina e esse dia não foi diferente, principalmente por causa do meu joelho esquerdo que sempre está falhando... Ah, maldito joelho.
Cheguei no hospital e passei na recepção do térreo aonde me encaminharam para a consulta com o Dr. Mario no 3° andar. Com um pouco de dificuldade andei em direção ao elevador e fui para a minha consulta... Aquele dia os exames foram muito demorados e acabei saindo do consultório do médico com os resultados bem a tardezinha. Peguei o elevador e fui para o térreo. O lugar estava meio vazio e a recepcionista não estava no seu posto habitual.
__Será mudança de turno? __Falei baixinho, estranhando o fato de que a recepção nunca ficava vazia, mas acabei dando de ombros e andei devagar em direção a saída quando eu a vi. Uma garotinha de 6 anos, chorando e tentando entrar em uma sala insistentemente, mas não alcançava a maçaneta. Ela tentava alcançar e sem sucesso tentava parar as pessoas para pedir ajuda.
__Oi, você viu a minha mãe? Não me ignorem, por favor... minha mãe foi levada por um médico e eu não consigo achar ela... mamãe? Cadê você mamãe?
Porque as pessoas me ignoram? Porque ninguém me ajuda?
__Oi querida? Tudo bem?
Ela me olha com um olhar iluminado, como se eu fosse a sua salvação.
__Está perdida meu bem?
__Eu quero a minha mamãe, ela sumiu e eu não consigo acha-la...
__Oh, bem. Ela te deixou sozinha aqui? vem comigo, ficar aqui sozinha é perigoso e mesmo sendo um local vigiado pode te acontecer algo.
__Eu não posso ir... Vou me perder mais ainda, por favor, me leve até a minha mãe. Eu só quero chegar na mamãe... Eu sei que eu tenho que falar com a polícia, mas eu não sei ligar pra eles e ninguém para pra me ajudar. Eu tenho medo de sair daqui e me perder... eu só tenho 6 anos e ainda não sei ler.
__Desculpe, mas eu não sei aonde está a sua mãe, e porque essas pessoas não ajudam? O que deu para todos passarem reto?
__Eu não sei, eu não fiz mal pra eles, eu juro.
__Vem comigo! vamos até a recepção.
__Por favor, abra aquela porta e me deixe entrar.
__Bem, eu não posso simplesmente abrir aquela porta para você entrar...
__Por favor, por favor... mamãe está lá dentro.
Em certo ponto o desespero daquela criança me fez ceder, eu então fui a caminho da porta. Demorei um pouco, pois o meu joelho doía muito, No entanto, quando eu cheguei a porta e comecei a abrir eu por algum motivo senti um calafrio que me fez por um instante hesitar, mas vendo o desespero daquela criança me fez juntar um pouco de coragem  e abrir a porta e então congelei... senti um frio sair dali e vi uma escadaria longa e escura e que me atraia por algum motivo.
__Querida você tem certeza?
A criança não me respondeu, só ficou me olhando e pelo olhar ela queria que eu entrasse e por algum motivo o meu corpo também queria. Então comecei aos poucos tentar andar, mas o meu joelho estava insuportavelmente dolorido, quase não consigo move-lo.
__O que está acontecendo? __ falei baixinho, afinal eu estava confusa com esse sentimento e eu sabia que eu não queria entrar ali..., mas lá estava eu. O meu corpo quase que por completo adentrou aquele lugar quando senti o meu joelho travar de vez e em seguida senti um puxão no meu braço que me fez ir para trás com tudo. Aquilo realmente me assustou e eu cai no chão em cima de alguém. Após alguns segundos de desorientação eu percebi que era a recepcionista que havia me puxado. Ela estava tremendo, com os olhos cheios de lagrimas e com um sorriso de alivio. Eu não sabia o que falar, só sabia que eu não sentia o movimento do meu joelho esquerdo.
__Ah! consegui a tempo... achei que não daria, Eu... ah, eu tive que ajudar um moço que passou mal aqui na recepção a entrar, e quando eu lhe vi ali eu entrei em pânico e corri em sua direção. Eu realmente achei que eu não chegaria a tempo, mas por sorte deu tempo e...
Ela então simplesmente para de falar e olha com um olhar assustado para a direção da porta que fecha lentamente. Eu automaticamente também olho para a direção e vejo uma criatura horrenda dentro daquele lugar, estava olhando em nossa direção, mas por algum motivo ela não saia, só olhava com aquele olhar mortal que me ficar com a vista turva. Senti que a minha pressão caiu e a sensação de desmaio percorria o meu ser, porém antes de perder a consciência eu pude jurar que vi o rosto da menina distorcer para um rosto velho e grotesco e com uma voz diferente gritou e em seguida disse:
__Você, porque você me impede de alimentar a mamãe? Eu saí, mas eu preciso que ela saia também... Devolva. DEVOLVA A COMIDA DA MAMÃE.
Senti então os braços da recepcionista me envolver e vi que ela jogou algo na menina na qual mais tarde descobri ser água benta e isso a fez gritar mais e então ela por fim desapareceu e após isso tudo ficou escuro. Acordei algumas horas e descobri que eu quebrei o osso da perna e o meu joelho está extremamente prejudicado. Tive que usar gesso por três meses e fazer fisioterapia.... e eu faço com muita vontade, afinal, se eu não estivesse com problema no joelho eu provavelmente não teria escapado. Sempre soube que aquele hospital Alice Jenkins era estranho, entretanto, acabei mudando os meus conceitos. infelizmente para pior.
Bom eu só sei de uma coisa, eu hoje estou viva e ainda posso acordar no dia seguinte querendo viver.
__Ah, bendito joelho.
Layla Vimorat
Enviado por Layla Vimorat em 30/11/2019
Código do texto: T6807138
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Layla Vimorat
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 26 anos
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Layla Vimorat