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No parque de diversões

Era sexta a noite, já não tinha compromissos, estava muito ansioso para o dia seguinte.

Mesmo adulto eu sempre carreguei aquela magia de criança dentro de mim e isso me faz muito bem, toda vez que vou num parque desses me sinto tão bem, consigo me desligar um pouco do mundo lá fora.

Dia ensolado, bom humor e cercado por pessoas bacanas, hoje eu vou aproveitar até o último, prometo que não vou nem lembrar da minha conta negativa no banco, aos risos comentava com minha esposa.

Ao entrarmos naquele cenário todo colorido, serem fantasiados nos saudavam logo na entrada, jovens e adolescentes corriam para chegar primeiro no brinquedos.

- Antigamente este brinquedo de terror era pago, agora é de graça que bacana, vamos?

Meus amigos e esposa tinham medo de monstros, então fui sozinho enquanto eles iam para a fila do barco viking.

- seus medrosos!

Entrei com uma turma desconhecida e tentei me enturmar mesmo um pouco sem graça.

Era realmente assustador, eu normalmente sei separar a fantasia da realidade, mas essa fantasia está realmente bem feita. Quando cheguei na metade do trajeto meu coração começou a doer e apertar, meu olhar foi involuntariamente direcionado para o chão e em instantes a multidão se aglomerou em volta de mim.

- chamem a ambulância, chamem a ambulância, eu ouvia bem de longe.

Todo o ano este mesmo parque faz um evento enorme com a temática de terror, demônios e criaturas horrendas ficam a solta no parque, para alguns é só uma espécie de teatro, mas depois do que aconteceu comigo sei que não se trata somente disso. No meio daquele brinquedo eu me lembro de ter ouvido algumas palavras em latim antes de cair e uma pessoa me tocando, deve ser alguma espécie de dogma ou feitiçaria para  transformar pessoas em escravos monstros do parque.

Minutos depois eu apaguei e sem ter como recusar, apenas urrando eu tentava emitir algum som para que aquele maquiador parasse de me transformar num monstro, depois de longas 2 horas lá estava eu andando involuntariamente sem coordenação alguma emitindo sons estranhos. Para todos os visitantes eu estava tentando assustar mas na verdade eu estava pedindo socorro.

Num determinado ponto vi que na multidão em volta de mim estava minha esposa e amigos chorando ao lado de um corpo idêntico ao meu, enquanto os bombeiros o colocavam na maca.

- Como pode, aquele corpo não é meu, mas é exatamente igual a mim.

Meu choro não escorria em forma de lágrimas, eu realmente sentia uma tristeza enorme mas aquele feitiçaria me fez ficar preso a isso tudo.

As nove horas da noite todos os visitantes foram embora, todos os monstros foram recolhidos e direcionados como bois para um sala fechada e escura.

Ficaremos lá até o próximo evento do próximo ano, ficaremos assim pra sempre.

Tchauí pessoal.



Fear
Enviado por Fear em 10/09/2019
Reeditado em 11/09/2019
Código do texto: T6741961
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fear
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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Fear