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Azul Cobalto.

Há muito tempo eu não saía com meus amigos. Então, numa véspera de feriado, decidimos ir à uma balada popular em nossa cidade. Quando chegamos, escolhemos lugares para sentar, ficamos próximos à pista, mas não distantes do bar, afinal, nosso objetivo era beber, e muito.

Depois de algumas bebidas, tivemos coragem de sair em busca de uma conquista. Antes mesmo de levantarmos, uma das funcionárias nos trouxe um balde de cerveja, por conta da casa. Assim que terminamos de beber, a mesma funcionária nos trouxe mais bebida. Dessa vez, um drink diferente, na cor azul cobalto. A bebida era deliciosa, porém, exageradamente doce.

Depois de algum tempo conversando com meus amigos, minha visão ficou turva. Meus olhos coçavam muito. Antes de desmaiar, vi que um dos meus colegas estava tendo uma convulsão. Eu tentei ajudá-lo, mas era como se meu corpo não me obedecesse.

Horas depois, acordei numa sala junto aos meus amigos. Não lembro com exatidão como era a sala, mas era pintada de azul cobalto. A mesma cor do drink, que por sinal, eu ainda sentia seu sabor.
Retomando a consciência, tentei acordar um dos meus amigos, então percebi que eu estava sem meus sapatos. Na verdade, eu estava sem minhas roupas, apenas usando peças íntimas. Todos nós estávamos.

Nossos corpos estavam com muitos hematomas e eu notei que me faltava um dente.
Ficamos um bom tempo tentando descobrir porque estávamos lá. Depois de gritar por socorro, a funcionária atenciosa que nos serviu entrou na sala. Ela estava segurando um alicate manchado de sangue. Provavelmente, foi ela que arrancou meu dente. Fui em direção àquela desgraçada e num piscar de olhos ela me jogou na parede.

Eu nunca vi algo parecido. A garçonete atenciosa era uma criatura monstruosa. Meus amigos tentaram deter aquele monstro, mas ela era forte demais.
Ainda atordoado por conta do golpe, vi o monstro abrir sua boca. Seus dentes eram grandes e afiados. Aos poucos, entendi que aquela sala, na verdade, era uma cozinha, na qual aquela garçonete e outras funcionárias da sua espécie se serviam. Elas escolhiam as pessoas mais bêbadas como vítimas.
Antes da criatura engolir meu amigo por inteiro, consegui machucá-la. Arranquei um de seus dentes e enfiei nos seus olhos, que jorraram sangue azul. Não era qualquer tom de azul, era o azul cobalto; o mesmo do drink e da sala. Possivelmente, outras pessoas conseguiram machucar a criatura. Enquanto o monstro gritava por ajuda, busquei forças para arrastar meu único amigo vivo.

Fugimos o mais depressa possível no meio da noite. Estávamos sem roupa, mas não nos importamos. Só pensávamos em fugir.

Quando cheguei em casa, peguei o telefone para ligar para a polícia, mas antes de concluir a chamada, senti o sabor do sangue da criatura.
Cambaleando, pedi ajuda para meu amigo. Ele notou que meu braço estava rasgado. Desesperado, ele foi buscar algo para estancar o sangramento, mas antes que pudesse de fato me ajudar, senti uma força incontrolável nascer dentro de mim. Apertei o pescoço do meu velho amigo e em seguida desmaiei.
Ao acordar, meu amigo não estava mais em casa e nunca mais o vi. E eu não sei mais o que faço para eliminar a cor azul cobalto que se espalhou pela minha casa.
Régis Di Soller
Enviado por Régis Di Soller em 12/07/2019
Código do texto: T6694647
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Régis Di Soller
Votorantim - São Paulo - Brasil, 30 anos
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