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Rhum, foi brabo. Eu sinto a falta dele, mas desse jeito não. Uns vinte dias dando tudo errado na minha vida, sentindo o cheiro e o peso dele, com o corpo pesado, total desânimo. Depois descobri o porquê. Queria ver os jogos do Brasil comigo e através dos meus olhos, porque não vejo mais ninguém de outra esfera,

primeiro fui a um Centro espiritualista pedir para não ver mais nada do além. Principalmente porque não acredito em fantasmas.


Todavia, há três anos, ele veio me visitar quando ainda estava em coma. Não via o seu corpo mas sentia perfeitamente suas mãos e o que queria? Avisar a mim que seu corpo estava no fim, que seu tempo como humano estava se extinguindo e que eu o deveria visitar. E assim aconteceu. Ele, dali, só durou uma semana. 

Fizemos muitas coisas juntos: a mesma faculdade, viagens, cinema, teatro, passeios, restaurantes, boates, assistíamos jogos de futebol, vários deles no Maracanã, no Morumbi, nas Laranjeiras, na Colina, em tudo quanto é lugar. Bons tempos felizes frequentando o Bip, do Alfredo , em Copacabana, em praticamente todas as sextas e sábados, outro grande amigo que se foi.

Ele sabia que poderia me visitar, quando estava em estado de coma, por todos os meus relatos de contatos com aparições, inclusive com duendes e intraterrenos, seres feéricos. Ria e debochava meio com medo, no fundo acreditava em mim, tanto é que veio me avisar da sua situação.

Como fiz para que ele se afastasse? Com pesar no coração, procurei várias linhas espiritualistas, para fazê-lo encontrar o caminho da luz, afinal, seu tempo expirou.


Não se deve tirar os mortos dos seus eternos descansos, mesmo contra suas vontades. Temos também que respeitar suas condições. Suas horas se findaram.

Saudade dói, pesa, porém nossa vida continua, até quando Deus nos chamar. Se acredito num reencontro?

Não. Acredito na nossa total finitude, se fica algo aqui neste plano, é um mistério. Mas como explicar um encosto? É parte de um pensamento que não se desligou dos seus hábitos e só criam forças através da energia dos vivos, alguns são capazes de senti-los ou de os ver.

Por outro lado, penso que tudo isto seja um processo de escrita. Às vezes, a história já está na cabeça, mesmo que o escritor não se dê conta e estes "fenômenos" acontecem. Talvez, subjetivamente, desejasse que meu amigo estivesse comigo e assistisse aos jogos na minha companhia.

Muito obrigada por sua leitura! As trilhas sonoras, também as faço.

 
VICTORIAH
Enviado por VICTORIAH em 18/06/2019
Reeditado em 20/06/2019
Código do texto: T6676231
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
VICTORIAH
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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