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O sonho
Fui processado por violar direitos autorais. Bem, enquanto o processo corre, faço a minha defesa: 
Sabe sonho?

Pois é, sonhei com as músicas, eu as cantava e tocava nos sonhos. Músicas e canções sensacionais e interessantes.

Era eu quem tocava e cantava e a autoria das músicas, no sonho, era minha.

Ali estava uma oportunidade de realizar meu sonho de vida: compor uma música que rodasse o mundo.
Eu não penso pequeno, não tenho sonhos modestos, ainda quero ganhar o maior prêmio!
Eu sabia que as músicas eram sensacionais, mas não consegui mais me lembrar delas. Então, recorri à hipnose, já que eu não conseguia resgatar estas memórias retidas no meu inconsciente; eu sozinho, não conseguiria desenterrar.
Marquei uma consulta com um famoso parapsicólogo e vi um homem muito feio, baixinho, atarracado, meio fanho, peludo com um lado do corpo semi-paralisado. Aquilo lá me deu ásco, mas era um médico renomado, um grande médico psiquiatra. Sabia que só ele poderia me ajudar.

Bem, chegando, ele fez a tal hipnose e saí de lá, feliz da vida, com todas as músicas na cabeça, concomitantemente, assustadíssimo com a risada alta e macabra que me fez sair do transe. 

 Não me arrependi de ter gastado uma fortuna, porque obtive êxito. Isto já era um sinal de bom presságio.
Tratei de escrever e gravar as músicas. E pouco tempo depois, já estavam rodando o mundo, ganhando prêmios, fazendo de mim um homem famoso e rico.

Só que passados alguns meses, bateu na minha porta um oficial de justiça e soube que estava sendo processado por plágio.
Na companhia de um grande advogado, fui até a casa do sujeito que dizia ser o autor das músicas. Era muito pobre! Um miserável! Senti muita pena dele.

Ele mostrou o processo de criação, os lugares, os nomes, por onde passou para que fossem feitas as obras. Tudo se encaixava perfeitamente: a forma como tocava seu instrumento, feito com uma lata de tinta, um braço velho de violão e cordas; voz...

Agora, como eu fui captar estas ideias num sonho? Nunca estive naquele lugar antes, como eu poderia ter sabido da existência daquela arte?! Na Internet não havia um vídeo sequer dele, nem gravação de música alguma!
Ainda não sei realmente o que fazer, se revelo a minha história à imprensa, ao juíz, se divido os créditos com o homem! O tempo dirá. Todavia, por enquanto, recolherei os frutos, todos os louros que vierem, afinal, Deus, de alguma forma, sorriu para mim!
VICTORIAH
Enviado por VICTORIAH em 05/02/2017
Reeditado em 05/02/2017
Código do texto: T5903474
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
VICTORIAH
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
559 textos (63989 leituras)
203 áudios (13548 audições)
2 e-livros (173 leituras)
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