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RÉVEILLON EM TEROAREA

Três horas da manhã
Eu me levanto e vou até o espelho do banheiro
Com as luzes apagadas eu o encaro
Chamo pelo Senhor 13 por treze vezes
E ele aparece bem na minha frente
O seu rosto corroído pelo tempo
Seu sorriso diabólico
E o seu relógio feito com couro humano
Pulsa em seu braço
Marcando treze horas
Ele me puxa para o outro lado
O vidro do espelho corta minha pele durante a travessia
Senhor 13 olha pra mim e diz
‘’Aproveite que hoje é reveillon aqui em Teroarea’’
Ele desaparece no interior de seu umbigo
Seu corpo é sugado para dentro de si
Apenas um pequeno anel de formato umbilical cai pelo chão
Uma gargalhada negra perfura meus tímpanos
Uma voz sussurra em meus ouvidos
‘’aqui é Teroarea,terra da dor e do prazer
O inferno dos mortais,o pesadelo das crianças
O reino das almas malditas
O império de Lúcifer
E hoje é o nosso ano novo
Bem vindo a nossa festa’’
Uma nádega gigante aparece no meio das nuvens
Ela defeca um arco íris que ao descer do céu
Toca o horizonte do vasto litoral de Teroarea
O mar é vermelho
Toda aquela faixa litorânea é banhada de sangue
As ondas são rosadas como a espuma de champanhe
Elas trazem vísceras e membros humanos dilacerados para a praia maldita
Sua areia é negra e coberta com pequenas conchas
Trazendo o desenho de expressões humanas de desespero em sua superfície dura
A brisa do mar infernal traz o odor de morte e de fezes
Pequenas crianças com o corpo de camarão correm pela praia escura
Mulheres com tentáculos de lula passam em seus corpos tinta preta de polvo
Enquanto se bronzeiam com a luz do Sol morto
O céu é cinza e escuro
As nuvens estão carregadas com chuva ácida
O ar de Teroarea é contaminado com chumbo e plutônio
A radiação criou inúmeras mutações na população bestial daquele local amaldiçoado pela terrível imaginação humana

As criaturas se preparam para a festa de reveillon
Os mais velhos tem seus corpos fortemente amarrados
Suas bocas são preenchidas com fogos de artifício
Bebês com cabeça de enguia são jogados no mar sangrento
Para que suas ondas mortíferas os carreguem para servir de oferenda
Ao demônio Leviatã rei soberano daquele oceano de decadência
Figuras humanóides se juntam na negritude do litoral de Teroarea
O rei de amarelo espalha idéias pervertidas nas mentes das criaturas bestiais
Uma orgia bizarra se inicia sobre as areias escuras
Seus corpos são magros e doentes
Cobertos de feridas purulentas e gangrenadas
Eles não possuem pelos em seus corpos esbranquiçados
Assemelham-se a lagartos em decomposição
Eles não possuem olhos e em suas bocas são maiores que a de um humano normal
Não apresentam lábios em suas gengivas fétidas trazem escamas prateadas
Talvez por isso o cheiro forte de peixe apodrecido
Milhares deles estão em minha frente
Copulando de maneira selvagem
Um bolo gigantesco de figuras dignas de pena se amontoa na areia preta
Da praia de Teroarea
Cada pênis das criaturas se assemelham a lâminas
Penetram as vaginas de arraias dos seres femininos daquela espécie macabra
Todos eles guincham como suínos no cio
O cheiro de suor,fezes ,peixe morto e carne podre toma conta do ar
Uma chuva ácida e contaminada com a radiação cai do céu
Queimando os corpos das bestas
A dor se une ao prazer da orgia
Aumentando seus gritos infernais
Pássaros baratas sobrevoam seus corpos umedecidos
Defecam sobre suas cabeças insanas pelo sexo
O senhor 13 surge ao meu lado e me mostra o seu relógio de carne em seu pulso
Agora faltam apenas alguns segundos para a meia noite
O ano novo em Teroarea se aproxima
Atrás da orgia maldita surgem outras criaturas estranhas
Seus pescoços são alongados como de avestruzes
Seus corpos são cobertos por penas negras
Suas pernas são finas e compridas
Cheias rugas idênticas as pernas dos galináceos
Suas asas ficam em suas costas e são feitas por uma junção de seringas
Presas em fileiras, uma atrás das outras
As cabeças daqueles seres são pequenas e viscosas
Assemelham-se a lesmas com olhos pontiagudos se movimentando para todos os lados
De suas cloacas seus intestinos são expelidos
Formando uma cauda enorme de carne e sangue
De repente aquelas caudas feitas de suas próprias vísceras
Abrem-se como se aquelas criaturas fossem pavões
Formando uma enorme fileira de leques intestinais grotescamente abertos
A luz negra do Sol morto reflete nas caudas daquelas criaturas
Trazendo um brilho único e avermelhado de carne
Os seres na areia chegam ao orgasmo coletivo
As caudas intestinais dos pavões satânicos chacoalham no ar neste momento
espirrando de maneira festiva sangue,fezes e muco retal para todos os lados
Os rojões estouram as mandíbulas daqueles que estavam amarrados aos fogos de artifício
As ondas do mar de sangue se agitam trazendo mais vísceras e mais membros cortados
Do interior do oceano macabro
Senhor 13 surge ao meu lado e segura em minhas mãos
Deseja um feliz ano novo para mim
Retira seu olho de vidro de seu globo ocular
pega uma taça de vidro que guardava em seus bolsos
A coloca em minha mão esquerda
Inclina a sua cabeça
Do buraco de onde ele retirou seu olho de vidro
Um líquido dourado e espumante cai em minha taça
Ele diz para eu beber
Percebo que se trata de champanhe
Bebo e a saboreio
Senhor 13 coloca seu olho de vidro como se ele estivesse tampando a garrafa de seu champanhe ocular
O agradeço e lhe desejo feliz ano novo
É meia noite
Chegou o reveillon em Teroarea
Uma noite eterna e inesquecível
Senhor 13 diz que preciso voltar
Ele me segura com uma de suas mãos e me joga de volta para a passagem de onde eu vim
Atravesso o espelho
Percebo que estou em meu banheiro novamente
Olho para traz e vejo que não há nada mais além de meu reflexo
Ouço estrondos na parte de fora da minha residência
Corro para ver o que é
Talvez sejam os fogos de artifício, pois hoje é dia 31 de dezembro.
Olho pela janela para o lado de fora da casa
E vejo um exército de bestas sem olhos e com pele de lagarto marchando pelas ruas
Pavões com caudas de intestino exposto dilaceram as pessoas caídas pelo chão
No horizonte um cogumelo gigante de fogo cresce se aproximando
Uma explosão nuclear se faz presente
Corro para me proteger em meu banheiro
Olho para o espelho e
Vejo que não sou mais a mesma pessoa
Vejo outra face
Eu sou neste momento o Senhor 13
E em minha testa está escrito
‘’Você é Teroarea, feliz ano novo Senhor 13’’



K H A O S
Enviado por K H A O S em 25/12/2016
Código do texto: T5862587
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
K H A O S
São Paulo - São Paulo - Brasil, 38 anos
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