DEUS ME LIVRO!

Escutou alguém batendo à porta. Olhou pelo olho mágico e não viu ninguém. Como estava o dia inteiro com fones de ouvido em seu homestudio, pensou que fosse algum acusma, pois foram horas de exaustivos trabalhos, que ainda não havia sombra alguma de estarem perto do fim, do término. Resolveu desligar o computador, pegar um suco na geladeira , respirar um pouco, sentar à vontade no sofá da sala, fumando um cigarro para relaxar, e novamente escuta baterem , desta vez com mais força e insistência. Levanta-se mal humorado:
- Porra, quem é?
Não obteve resposta. Olhou novamente pelo olho mágico e não viu ninguém.
- Será que é alguém baixinho? O jeito é abrir a porta.
Abriu a porta e não viu ninguém.
Voltou para o sofá intrigado.
A campainha tocou.
- Deve ser criança brincando. Eu até gosto de crianças, mas não por muito tempo. Nem vou me levantar daqui.
E a campainha tocou ininterruptamente. Deu um salto, furioso, e abriu bruscamente a porta, para surpreender o chato brincalhão. Saiu correndo em direção à escada pelo corredor escuro e não havia sinal de viva alma. O vento bateu sua porta, que não abria por fora, teria que chamar o chaveiro. Tropeça em alguma coisa, abaixa-se e dá de cara com um livro muito antigo. Parecia feito de tecido, bordado a ouro. A porta se abriu. Entra em casa e volta para o sofá com o livro nas mãos, movido pela curiosidade, começa a folheá-lo.
" Sou um anjo caído, e, caro leitor, tu estás convidado a conhecer o lugar onde resido, onde estou preso há séculos. Não me arrependo da minha escolha, já arrebatei muitos amigos para este lugar, através deste livro. Aqui nada falta. Tudo o que quiseres, terás..."
Sentiu uma espécie de vertigem, as forças sumirem por segundos, uma sensação de que o livro o estava sugando. - DEUS ME LIVRE DESTE LIVRO! - E o largou no chão, apavorado. Depois do susto, deu uma gargalhada e falou:
- Deve ser coisa da minha ex mulher para me assustar, para se vingar de mim, Afinal, eu reconheço, eu fui um crápula com ela, mas eu sou assim, sou um cara solitário, não nasci para amar ninguém, só para ter relacionamentos fortuitos, passageiros, esse negócio que eu senti agora foi sugestão, porque saí da rotina. Um presente desses...
Pegou o livro do chão e começou a ler a história do anjo caído. Vivia na luz, era um ser bom, até apaixonar-se por uma mulher poderosa, dominadora. Isto aconteceu no século XIII. Teve a permissão para virar humano e tentar conquistar a mulher. Por isso matou, roubou seus rivais, apoderando-se dos seus bens, seus castelos e a raptou, deixando-a em cárcere privado. Mas nunca teve o seu amor. Por isso, no dia do seu passamento, foi condenado à vida eterna, preso em seu castelo.

Hugo, triste, deixou o livro de lado e percebeu que não estava mais em seu apartamento escuro, e sim num dos quartos do castelo medieval. Desmaiando, ao ver a sombra de um anjo maléfico atrás do armário e ao ouvir sua voz cavernosa e potente:
- Você nunca mais vai sair deste lugar! Ninguém sentirá a sua falta!
(continua)

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O TÍTULO É APENAS UM TROCADILHO, UMA PIADA. COLEGAS, ESCUTEM MEUS ÁUDIOS MUSICAIS! BEIJOS
LYGIA VICTORIA
Enviado por LYGIA VICTORIA em 31/03/2013
Reeditado em 10/06/2014
Código do texto: T4216457
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