A cruz e o canino - Capítulo 9: Baal-Zebub (Continuação)

Devido a mudanças de planos, este, que seria o capítulo 10, passará a ser o 9, e o que era o 9 será reduzido na versão definitiva, e incorporado a esse. No mais, a história segue do mesmo jeito:

Santa Fé – 1980

Antônio acordou e olhou pela janela, sua mulher estava lá, parada, do lado de fora. ele levantou da cama, vestiu o casaco e saiu. A mulher andava pala longe. Antônio corria atrás da mulher, mas não a alcançava, apesar de ela apenas andar.

Seguiu-a por muitas ruas. Antônio ofegava, apesar de a mulher não aparentar cansaço algum. Andaram por algumas centenas de metros até chegar ao cemitério. A mulher andou até a cova e sumiu. Antônio foi até a cova e leu: Júlia Guimarães (1947-1972). Uma risada demoníaca ecoou no cemitério, era gélida e estridente. Antônio se virou e viu um demônio sentado sobre uma mosca gigante. A mosca levantou voo e mergulhou na direção de Antônio, que puxou um terço do boçso e começou a rezar de olhos fechados.

A mosca mergulhava em sua direção, e o demônio começou a gritar:

-Você vai para o inferno! Te levarei para lá comigo! Você é insignificante! Um fraco!

Antônio, por mais difícil que fosse, se concentrava na oração, enquanto a mosca vinha cada vez mais rápido.

-Morra, homem sem fé! Há de virar um cadáver! Cadáver! Carne dada aos vermes! É só pó! Eu sou imortal, mas você é só matéria! Morra!

A mosca desceu e, quando alcançou Antônio, se dissolveu em sombras à medida que tocava o homem. O demônio caiu no chão e o padre olhou para ela, com o terço em sua mão. O demônio olhou para Antônio, raivoso, e o homem reconheceu aqueles olhos, eram os mesmos dos do possesso da noite anterior. Ele urrava para o homem e fez várias lápides se erguerem no ar, e arremessou-as contar Antônio, que conseguiu se desviar da maioria, mas uma acertou-lhe o braço. O demônio deu uma gargalhada infernal ao acertar o braço do padre com a placa de pedra.

Antônio cambaleou e segurou o braço, conseguia movê-lo, não estava quebrado, isso era uma boa notícia, de longe a melhor desde que chegou ao cemitério. O homem se levantou e não viu o demônio, mas, no lugar dele, viu Júlia, que o observava, e ela enfim disse:

-Que bom que você veio por mim.

-O que você está fazendo aqui?

-Esperando-te. Estive te esperando por todo esse tempo, e enfim você veio me buscar. Você sabe o que fazer.

-Não sei.

-Me desenterre, minha cova está ali ao lado. Podemos viver felizes.

-Como, se você está morta?

-Nosso amor é maior que a morte, nós podemos transpassar essa barreira.

-Como?

-O senhor Baal-Zebub é forte, ele pode fazer o que você quiser. Você só precisa adorá-lo.

-Nunca. Eu só sirvo a um Deus, e Ele é o Deus de Israel, e minha mulher sabia disso, e respeitava. Saia da minha frente, demônio.

-Mas amor, sou eu, Júlia. Desde que você virou padre, você vê o demônio em tudo, você está ficando paranoico. Sou eu, eu te esperei esse tempo todo, amor.

-Não. Você não é a minha mulher. Ela está morta!

Júlia andou em direção a Antônio e esticou o braço para tocar em seu rosto, mas Antônio afastou a mão.

-Saia, demônio. - gritou.

Júlia se transformou, virou o demônio musculoso e tatuado do sonho de Antônio, e este caiu para trás com o susto ao ver essa face conhecida.

-Eu sou Baal-Zebub, - começou o demônio. - príncipe do Inferno e Senhor das moscas! Eu matei Júlia, e eu vou te levar comigo! Estou no seu encalço, sei tudo o que você faz, e você será meu.

Antônio sentiu o ódio nascendo em seu coração. Aquele foi o demônio que matou Júlia. Mas se conteve. “Demônios não podem matar. Júlia morreu porque era a hora dela.”

O demônio foi tomado pela ira ao ver que Antônio não se alterara sob suas proocações, e começou a bravejar:

-Demônio maldito! Você vai morrer, e irá para o inferno! Espere por mim! - e começou a se dissolver no ar.

Antônio estava assustado com a mosca, e ofegante por causa da corrida, mas sabia que tinha que vencer o cansaço e sair dali. Não podia simplesmente deitar e dormir no cemitério, mas, quando virou para a entrada, viu uma gangue entrando no cemitério. Quatro motoqueiros, que vestiam roupas surradas e fumavam, estacionaram as motocicletas perto de uma árvore, e se sentaram em uma roda, em volta de uma das lápides. Antônio se escondeu, não sairia no meio daqueles sujeitos, esperaria que eles fossem embora.

Um dos homens, o qual parecia o líder, puxou um frasco com um líquido vermelho, e o colocou sobre a grama, no meio do círculo, enquanto outro pegou quatro velas. O líder puxou uma faca e cortou o dedo, com o sangue desenhou um pentagrama, do qual umas das pontas acabava na lápide, e, sobre as outras, foram colocadas as velas. Cada membro se sentou sobre uma ponta e o líder começou a recitar uma oração:

-Senhor Beelzebub, Venha até nós, Mostre-nos o seu poder Para que nó possamos vos louvar. Amém.

O líder tomou um gole do frasco e passou para os próximos, que tomaram um gole cada um. O último despejou o resto do conteúdo do frasco no centro do círculo. Eles esperaram por vinte minutos, e nada aconteceu.

Os quatro se levantaram da roda e saíram em direção às motos, mas, antes que eles pudessem alcançá-las, houve um barulho dentro da cova, e os homens se viraram a tempo de ver um vampiro se erguer dela. Eles ficaram comtemplando maravilhados aquele ser das sombras se erguendo na noite, mas sua maravilha durou apenas o tempo que o vampiro levou para correr até o grupo e arrancar o coração de dois dos homens. Os outros doi correram para as motos, mas o vampiro ainda conseguiu matar um, perfurando-lhe o pulmão. Os três cadáveres se ergueram, com uma expressão sendenta por morte.

Antônio pegou a estaca e pulou em cima de um dos vampiros, fincando-lhe a estaca no coração. Os outros dois correram atrás dele, mas logo caíram no chão, pois não tinham coração.

O vampiro primeiro puxou a faca do cadáver do líder, e falou para Antônio:

-Pensou que eu fosse embora assim tão facilmente? Voltei para te matar, mas não se preocupe, logo você estará com Júlia no Inferno.

Antônio suava frio e estava nervoso, mas continuou apontando a estaca para o vampiro, que continuou falando:

-Você vai morrer, padrezinho, todos os seus esforços foram em vão, e, no final, eu que reinarei neste mundo.

Antônio foi para cima do vampiro, que correu em direção a Antônio, e tentou golpeá-lo, mas ele desviou da faca e girou numa rasteira no vampiro, que caiu, mas logo se ergueu. O vampiro, que caiu, mas logo se ergueu. O vampiro começou a levitar, e, apontando a faca na direção do padre, voou para atacá-lo, mas o padre puxou uma pedra de uma lápide, e a usou como escudo. O vampiro desviou facilmente da pedra, e Antônio a arremessou-a, mas o vampiro desviou novamente e riu da cara do padre, mas percebeu que uma coisa tinha tocado nele quando a pedra passou: água benta, que Antônio tinha despejado sobre a pedra. O vampiro caiu no chão, agonizante, e Antônio foi em sua direção e, sem dizer nada, enfiou-lhe a estaca no peito. O vampiro silenciou.

Antônio sentou em um pedra perto da árvore onde estavam estacionadas as motos e fez uma oração pelas almas dos três mortos. Quando ergueu o olhar, quase caiu para trás de susto com o bispo a sua frente, enquanto dois guardas da catedral arrumavam a bagunça.

-Por que você não falou comigo quando saiu?

-Eu não sabia que eles apareceriam, vim apenas tomar um ar.

-Veio tomar um ar num cemitério a dois quilômetros da catedral, às três da manhã?

Antônio nada falou, apenas olhou para a lápide da sua mulher. O bispo calou-se também. Os dois voltaram andando para a catedral e, ao chegarem na casinha ao lado dela, o bispo falou:

-Bom trabalho com os vampiros.

Antônio assentiu e foi para o seu quarto lentamente.

Jacobina
Enviado por Jacobina em 06/10/2011
Código do texto: T3261972
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