Carnaval Maldito
Carnaval Maldito
A noite caiu e o homem deu vida ao palhaço quando pôs à fantasia, o rosto pintado disfarçava sua real identidade. Seguia ao som das marchinhas de carnaval, que aos seus ouvidos soavam como uma marcha funesta, pelas ruas de Osasco. Dançava com o sorriso maléfico exposto em seu rosto, atraindo a atenção das crianças que também seguiam o bloco.
Por volta da meia noite quando os pais já levavam seus filhos para casa, ele começou a agir. Observava um a um. Tentava identificar a vítima mais frágil. E logo conseguiu. Passou a seguir de longe a mãe que levava seu filho nos braços. O menino tinha pouco mais de quatro anos, estava cansado depois daquela noite na folia. As ruas vazias facilitaram a ação do palhaço que sorrateiro aproximou-se da mulher e pôs sua arma lentamente nas costas dela. A mulher assustada virou-se e viu o mesmo sorriso maldito que viu no bloco.
- Se você gritar eu atiro. Advertiu o bandido. As mãos alvas da mãe seguravam seu filho tremulando. Os olhos verdes da moça deixavam as lágrimas caírem.
- Me dê o menino! Disse o palhaço envolvendo a mão no garoto. A mãe resistiu e foi ao chão segurando o menino. O bandido não hesitou em colocar a arma na cabeça da mulher que soltou o menino já desperto e assustado. Quando ela largou o menino, o palhaço puxou o gatilho da pistola e deixou o sangue manar através do buraco na cabeça da loira. O disparo chamou a atenção dos moradores da rua que logo chamaram a polícia.
O bandido correu, jogou o menino dentro de um Furgão e deu partida. No caminho ele tremulou ao cruzar com o comboio de viaturas que seguiam para o local do crime. Minutos depois entrou em uma estrada de terra que percorreu por cinco minutos até chegar a uma chácara. O homem virou a chave e tirou-a da ignição, olhou pelo espelho interno do carro e pensou por alguns segundos se o que fazia realmente valia a pena. Acho que sim. Respondeu olhando seus olhos castanhos no espelho.
Quando abriu as portas traseiras do Furgão, o menino assustado com o olhar e expressão melancólica rasgou o coração do homem que o havia sequestrado. O homem permaneceu segurando as portas, com o mesmo olhar vazio na direção do garoto. Sua compenetração em arrependimentos foi interrompida pela chegada de um homem trajado de médico.
- Vamos meu caro. Já está tudo pronto para a transferência.
- Sim. Disse o homem desperto de seus pensamentos, adentrando no Furgão e saindo com o menino nos braços. Ele levou o menino até a porta onde o cirurgião esperava e deixou o local logo em seguida.
O médico-cirurgião colocou o menino sobre a mesa de cirurgia e começou a remoção dos órgãos. Poucas horas depois os órgãos já estavam sedo transplantados num outro garoto.