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Tentaculos

Samuel perambulava pelas ruas,eram duas da madrugada e o horario de movimento começara a meia hora.Todas as meninas tinham que estar trabalhando e Samuel se assegurava disso conferindo todas,estapeando o traseiro de uma ou outra que descansava se encostando nos carros parados.
O frio era intenso e Samuel fechou o ziper de seu casaco,continuou sua ronda até a parte mais baixa da rua.Ali o movimento era mais fraco,as meninas de qualidade inferior,as luzes quase inexistentes e os becos frequentes.O cafetão olhava ao redor quase sem interesse quando seus olhos focalizaram surpresos a bela mulata que caminhava na calçada suja.
Seu cabelo era cor de caramelo,cacheado e cheio.O corpo escultural mal estava coberto pelo minimo top e o short jeans,ambos brancos,os labios eram carnudos,vermelhos,os olhos de um azul profundo.Samuel pensou logo que havia algo errado,aproximou-se da mulata dizendo.
- Escuta aqui minha filha...Tu é traveco?
A mulata ergueu uma sobrancelha como se não entendesse o que ele dizia.
- Tu é homem fulaninha? - Samuel esclareceu.
A mulata abriu um sorriso imenso,mostrando dentes alvos e perfeitos.Passou as mãos pelo cabelo depois falou com voz melodiosa.
- Ja viu homem com esse corpo,com essa voz,com esse cheiro? - Ela se aproximava enquanto falava.
Samuel sentiu-se nervoso,não costumava sentir-se assim perto de mulher mas aquela,tinha algo de errado com aquela.Algo dentro dele o avisava,assim como nos avisa que um cachorro morde mesmo parecendo docil.
- Escuta belezinha,quem é teu homem? - Samuel puxou as abas do casaco para desfarçar o desconforto de falar com a estranha.
- Ninguém...Eu sou livre...Faço o que eu quero... - Ela sorriu de novo e dessa vez Samuel achou que era o sorriso mais macabro que vira  em sua  vida.
Aquilo tudo lhe deu raiva,não devia sentir medo de prostituta!Agarrou o braço da estranha arrastando-a para um beco proximo,mostraria quem mandava.
- Resposta errada fulaninha,eu sou teu dono agora! - Disse ele apertando o braço dela sem virar para ver sua expressão.
O beco era escuro,o chão tinha poças,Samuel encostou a mulher na parede mas estranhamente ela não começou a chorar,parecia até rir.Samuel lhe deu um tapa forte no rosto mas ela não se abalou,jogando-a de joelhos em sua frente Samuel abriu o ziper da calça puxando mulher de encontro a sua virilha pelo cabelo.O cabelo cacheado não era frio,não era quente mas estranhamente parecia...Vivo.Samuel largou com nojo mas disse em voz autoritaria.
- Quero ver se você trabalha direito!Agora chupa!
A voz dela parecia  rouca  ao responder.
- Você tem certeza?
- Cala a maldita boca e chupa!Tô mandando! - Samuel ja não conseguia mais esconder o nervosismo.
- Tem certeza? - Ela disse mais uma vez e agora sua voz era grave,monstruosa,ela levantou o rosto no instante que um carro passava e com a luz dos farois Samuel pode ver com horror o que tinha em sua frente.
A boca vermelha abrira-se dos lados deixando sair dois tentaculos,um de cada lado,cheio de ventosas,o cabelo também mudara,agora era uma massa de tentaculos pequenos e enrolados.A mulher se levantou revelando que seu corpo era liso e viscoso como os tentaculos,o short e o top não eram roupas e sim parte da coloração do proprio corpo da estranha criatura.
Samuel cambaleou para tras com a calça lhe escorrengando pelas pernas,quis voltar a vestir-se mas a coisa segurou suas mãos enrolando-as em tentaculos frios,mais  tentaculos viscosos envolveram suas pernas com as ventosas a sugar sua pele de forma dolorosa,Samuel horrorizado quis gritar mas a coisa  deu-lhe um beijo.Os dois tentaculos entraram garganta abaixo fazendo-o ter ânsias e sufocar,outros tentaculos entraram-lhe por outros orificios,sugando,virando-o do avesso,ele se debateu tentando se livrar mas a mulher-monstro era mais forte.As ventosas continuavam a sugar,rasgando sua pele,fazendo o  sangue verter.A coisa o deitou no chão,Samuel agonizava,muito sangue saia de sua boca,de seu corpo,do que ele se orgulhava ter entre as pernas.
A coisa riu,a boca abriu-se mais ainda revelando fileiras e fileiras de dentes pontiagudos.Se aproximou para devorar sua refeição.Samuel teve seu fim em meio a agonia...
Horas depois outro carro passava por aquela rua,encostou na calçada,o homem de dentro olhava as meninas quando uma mulata encostou e debruçou-se no vidro.O homem sorriu dizendo.
- E ai doçura quanto é?
- Pra você gostosão,eu faço de  graça... - A mulata abriu a porta e entrou no carro com seu short e top vermelhos-sangue.

Meu aviso?Quando andar a noite nas ruas cuidado,existem coisas inimaginaveis escondidas na escuridão...
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 18/05/2011
Reeditado em 18/05/2011
Código do texto: T2977473

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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