O Visitante

O céu estava diferente naquele entardecer de outono. As folhas no chão transformavam o velho lugarejo em uma pintura surreal. A velha carruagem chegara ao destino após dias de estrada . O cocheiro desce lentamente, abre a porta e levanta seus olhos para o único passageiro.

As casas já se encontravam silenciosas e seus habitantes, como que pressentindo o que estava por vir, permaneciam em seu interior.

Aquele estranho forasteiro de grande estatura, bengala de marfim e cartola negra olha para a cidade com um leve sorriso no canto da boca. Dirige-se à antiga casa no final da rua.

A noite vai alta. Alguns passantes mais ousados, observam que naquela estranha casa as lamparinas foram acesas e o velho portão estava sem as correntes. De repente um horrendo grito se faz ecoar pelas ruas mas ninguém, absolutamente ninguém , abre a porta da casa. Amanhece e os moradores caminham assustados. O corpo de uma jovem fora encontrado próximo ao celeiro abandonado.

Carruagens chegam , cinco no total, dirigem-se à antiga casa. A estranheza tomou conta do lugar mas a curiosidade é a maior inimiga do homem e acreditando que ali se encontravam pessoas influentes, capazes de desvendar o crime , foram bater à porta.

Convidados foram para retornarem à noite para uma reunião informal.

Marcava o relógio 21 horas quando as lamparinas foram acesas e o portão aberto. Um criado abre a enorme porta de mogno entalhada e todos adentram aquele lugar sombrio , castiçais espalhados pelo local não conseguiam iluminar o suficiente para que a imagem total daquela vasta sala fosse enxergada com nitidez. As pesadas cortinas vermelhas, todas fechadas, deixavam o ar rarefeito. Finalmente o anfitrião desceu a enorme escadaria de madeira juntamente com os outros forasteiros.

Travas pesadas nas portas de saída. Desespero. Não restou um ser vivente naquele local.

Na madrugada as carruagens saem tranquilamente pela estradinha que contorna a montanha, a poucos quilômetros dali, outro vilarejo ainda dorme.

Denize Nelli
Enviado por Denize Nelli em 08/08/2009
Reeditado em 01/04/2013
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