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Queimado vivo

Henrique dançava,a algum tempo parara de ouvir a musica,estava agora perdido nos grandes olhos castanhos de sua acompanhante.Perto da bela ruiva ele sentia uma mistura de prazer e medo.O sorriso daqueles labios carnudos parecia sarcastico e cruel,mesmo assim os olhos continuavam a expressar doce submissão.
- Vamos gata,me diz logo seu nome... - Ele sorriu ao dizer.
Ela apenas riu dançado colada a ele.As unhas dela passavam pela nuca e ombros dele lhe arrepiando.Ele tinha vontade de sair correndo e tinha vontade de ficar ate o fim.
- Me rendo,sem nomes então...Me leva com você pra casa pelo menos...Quero passar essa noite com você. - Ele disse quase suplicante.
Ela então falou pela primeira vez.
- Você não iria gostar...E...Eu não vou pra casa.
- Por que?Você é perigosa?.Vou a qualquer lugar com você... - Ele a abraçou galanteador.
- Sou...Exotica. - Ela se desvencilhou do abraço. - Qualquer lugar?
- Qualquer lugar... - Ele afirmou sentindo o mesmo arrepio.
- Até pro inferno? - Ela sorriu.
- Abraço o capeta por você gostosa! - Ele riu.
Ela pareceu gostar da resposta,saiu da boate o levando pela mão.
                                            ***
Henrique acordou com a forte claridade em seu rosto.Estava exausto e dolorido.Sentou-se notando que a claridade era o sol,olhou ao redor,parecia estar numa especie de terraço feito de chapas de metal.Notou também que estava nu.Assustou-se tentando lembrar o que acontecera.Lembrou da boate,da ruiva,do medo que sentira,sentia muito mais agora ja que não havia sinal de suas roupas nem da ruiva.Pelo menos o relogio ela lhe deixara,eram agora sete da manhã,o sol nascera a pouco.Henrique levantou,andando pelo terraço,descobriu que estava no alto de um predio isolado,de alguma velha industria abandonada.Ele lembrava de ja ter passado proximo ali quando viajava para outra cidade,a industria ficava proxima a rodovia,se conseguisse descer logo encontraria socorro.Tentou achar uma passagem que o levasse para baixo,mas por mais que andasse so via chapas de metal.Tentou meter os dedos entre uma chapa e outra mas so conseguiu cortar sua carne.
O dia passava,o sol ja estava alto e as chapas antes frias e confortaveis agora começavam a esquentar.Henrique andava tentando aliviar a dor dos pés parcialmente queimados.Eram dez da manhã.
As onze e meia ela corria,alucinado de um lado para o outro,o calor era insuportavel,as chapas arrancavam a pele de seus pés,ele caia e as chapas queimavam a pele de seu corpo.Ele gritava,xingava e continuava a correr,ja rasgara suas mãos tentando afastar as chapas,mesmo assim continuava tentando,precisava continuar tentando.
Ao meio dia percebeu que a ruiva o estava observando.Sim,ela estava la embaixo,deitada sobre o capo de seu carro o olhando por um binoculo.O sofrimento dele parecia satisfaze-la imensamente.
-Vadia desgraçada! - Ele gritou sentindo sua pele torrar.Agora sentia também o cheiro de carne queimada.
Ela riu e acenou.
Uma hora,ele estava tonto,fraco,com o corpo queimado e dormente.A dor o enlouquecia,não tinha pra onde fugir.Lançou um ultimo olhar a ruiva que continuava a observa-lo.Então correu pela ultima vez,correu e se lançou do predio.Pareceu voar por um tempo,então caiu e caiu até sei corpo bater no chão e enchê-lo ainda mais de dor.
A ruiva se aproximou do corpo ensanguentado,com ossos e musculos a mostra mas ainda vivo.
- Agora...Você vai conhecer a minha casa...Abrace meu pai por mim...
Os olhos dela agora eram duas esferas negras,seu rosto palido antes tão belo era agora cadaverico.Ela ainda ficou mais um tempo para vê-lo morrer e então foi embora.Seu desejo se realizara....                                    
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 23/10/2008
Código do texto: T1244924

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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