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Medo do escuro.

–Fale tudo o que aconteceu rapaz, por que você pulou? É um milagre que não morreu  e um maior ainda, que não se machucou.
–Senhor, eu não estou bem, só posso estar louco! Não, nem eu acredito, mas foi muito intenço, muito real, o que eu vivi!
– Calma, você esta bem, te trouxe aqui para a minha sala para que, você pudesse ficar longe de todos aqueles curiosos. Cadê seus pais ?
–Eles estão viajando!
–A  senhora Lurdes disse que você corria e derrubava coisas, por que você pulou da janela? Esta precisando de ajuda ? Eu te ajudo, garoto! Me conte! O que aconteceu? por que você pulou?
—Foi real, mas eu devo ter tido um surto, só pode!
—Eu entendo, esta tarde, não vou forçar você a se abrir, afinal está na cara que seu tralma foi grande.Já sou sindico a quase vinte anos e já vi muitas coisas, mas nasa parecido com isso, vou te deixar descansar amanhã conversa...
—Por favor, não me deixe só! Por favor! Eu imploro! Eu falo tudo! Só nã me deixe.
— Calma garoto! Não precisa ter medo, não sairei daqui então! Se acalme, isso, enxugue essas lágrimas, beba esta água, se quiser você conta.
– Vou falar, se não eu vou pirar!
– Fale devagar, para não soluçar mais, beba a água, isso, agora conte.
– Meus pais viajaram, para a casa do meu falecido avô, eles sempre faziam isso, mas foi a primeira vez que eu fiquei sozinho.
– Calma! Garoto não volte a chorar, você está seguro agora(...) Mais calmo ? Continue.
— Então, fiz de tudo um pouco, na verdade tinha planos, de ficar jogando video game e comendo pizza a noite toda, porém por volta das uma da manhã já estava caindo de sono, e por um breve momento apaguei, acordei e senti que havia algo diferente, algumas luzes estavam acesas e outras apagadas e eu não tinha deixado daquela forma.
—Você estava com sono, é normal que estivesse confuso.
–Foi isso que eu pensei. Mas foi ai, que as coisas começaram a ficar estranhas. Eu estava acordado, mas não me mexia, tentava me mexer e nada. Eu via tudo ao meu redor eu estava paralisado. Comecei a me desesperar, tudo passou em minha mente eu realmente achei que tivesse morrido.
— Isso se chama paralisia do sono, é completamente normal. Continue.
– Podia enxergar tudo ao meu redor, a sala, o controle da tv, parte doeu corpo deitado, até que decidi me acalmar. Eu pensei: eu não morri, posso respirar! E ai consegui me mexer, primeiro o dedo e foi como se eu tivesse me libertado, quado finalmente me sentei, eu vi!
   Alguém tinha passado de um quarto, para o outro no corredor! Aquilo foi surreal ! Corri para a porta do apartamento, pensei: se for um criminoso a porta estará aberta, eu saio e chamo a policia, as ela estava trancada com duas voltas na chave.
   Então, eu fui até a cozinha, peguei uma faca grande que minha mãe usa para cortar a carne e me caminhei até meu quarto, fui com passos silenciosos, quando eu entrei nada, olhei em todos os lugares e nada, eu pensei é minha imaginação. Só por garantia, verifiquei o resto da casa, nada! Deixei a faca na cozinha e fui para cama, quando apaguei a luz da sala, pensei em ter visto algo passando na frente dos meus olhos, uma sobra bem rápido...
— Como eu falei antes, você estava atordoado ainda, confundindo sonho com realidade. Não fique nervoso, você esta tremendo, se acalme.
– Quando eu entro no corredor, ai, ai...ah!
–Debora me ajuda!  O garoto desmaiou ! (...) Você está melhor ? Ta tudo bem ? Você apagou por um instante. Esta se sentindo melhor ?
– Estou, estou, realmente não sei o que aconteceu.
— Você estava falando e simplesmente começou a apagar. Vamos parar de conversar, você precisa descansar agora, eu  ficarei aqui com você para que você descanse.
– Eu não quero dormir! Eu acho que se dormir, ele voltará.
– Vamos mudar de assunto, não precisa dormir.
— Prefiro terminar a história, não saber se estou louco esta me matando. O senhor pode me ouvir?
–Posso sim, você precisa de algo da sua casa ? Uma roupa, escova de dentes?
–Sim, se possível meu celular, preciso falar com meus pais.
–Ok, só um instante. Debora! Debora!
–Oi? O que houve? Ele desmaiou de novo? Coloca as pernas dele pra cima!
–Não. Interfone para Seu Gomes, peça a ele ir lá na casa do garoto e pegar o telefone, o apartamento é o 211, no prédio dois.
–Ele tava doente, foi no médico ontem. Tava vomitando e tudo. Faz quase uma semana que ele não trabalha, mas vou ver se pego as chaves com ele.
– Obrigado! Volte logo sim, preciso que vá em nossa casa. Pegar cobertores e travesseiros. Gabriel, continue, desculpe a interrupção, prossiga.
–Não me lembro onde parei.
–Tinha algo haver com corredores.
– Lembrei!Quando eu me virei para o corredor senti um ar frio, percebi que tinha esquecido a janela da sala aberta, voltei para lá,  fui no escuro mesmo, não liguei a luz, pois pela janela tinha claridade o suficiente para que eu visse pra onde estava indo. Senhor Alberto, o senhor já teve a sensação de ser observado ? Mas não a ninguém por perto. Uma presença?
—Já, de ser seguido, mas é só uma paranoia, todos passamos por isso. Alguma vez na vida.
– Eu senti isso, me virei de forma rápida para trás, mais uma vez, eu vi a sombra, agora indo para a cozinha, mas dessa vez eu não a segui. Disse a mim mesmo, não é nada, preciso ir dormir  estou vendo coisas, já.
    Fui pra minha cama, acho que cochilei por um breve momento, mas por algum motivo tomei um susto, e meio atordoado, eu me sentei da cama de forma rápida e ofegante e estava lá.
— Quem estava ?
– A sombra, olhando pra mim, com o rosto muito perto do meu, eu vi, conseguia ver o contorno da sombra e aqueles olhos, aqueles olhos amarelos, eu sei que ela estava rindo, não sei se tinha dentes, aquele cheiro saindo da sua boca era sufocante.
    Tentei empurrar, mas minhas mãos passaram direto, então me levantei e fui direto para o interruptor, mas a luz não ascendia, então corri para a sala e  acabei topando em alguma coisa, um sapato, eu não sei. Quando cai, machuquei um pouco a testa, e os lábios.
–Achei que tinha machucado isso na queda.
– Corri para a porta da frente , mas ela estava trancada e eu não sabia onde estava a chave. Foi quando eu ouvi.
– Um assobia medonho, um assobiar medonho, e que ficava mais alto, aquele contorno de olhos amarelados, e aquelas feições, alta magra. Sombra se aproximava de mim, eu podia ver ela sorrindo. Eu fui para cozinha, procurar a faca, que tinha deixado lá, acabei derrubando todos os talheres. Me abaixei para pega- la, porém não consegui encontrar, do nada, o assobio parou.
    Só havia silêncio, mas eu sentia que não estava só, eu não tinha alternativa, o vento frio passou por mim. A janela estava aberta, eu sabia que eu tinha fechado antes.
– Por que você não gritou por ajuda ?
– Eu tentei,mas o assobio macabro voltou, minha voz não saia, eu também não sei porquê. Senti e que não tinha mais, nenhum controle sobre o meu corpo, estava paralisado quando, soltei um tímido sussurro com minha voz. Algo pegou no meu pescoço, parecia um mão de um esqueleto, algo que machucava só de tocar , um punhado de ossos estava me sufocando.
     A dor era imensa, o rosto daquela sombra se aproximou de mim, me fitando com seus olhos amarelos com a voz mórbida, disse: "Finm".
     Eu comecei a adormecer, meu corpo a ficar dormente,
na verdade eu tinha desistido. Ele me soltou, não, não. É como se eu tivesse escorregado da mão dele.
– Escorregado? Estava molhado ou gosmento ou coisa assim ?
– Não, é como se ele fosse uma cobra, e estivesse trocando de pele sabe?
–Não entendi.
–Eu também não, mas quando cai no chão ainda meio atordoado, tossindo muito, acho que até vomitei um pouco até,  me levantei meio cambaleando e sem olha pra trás eu pulei da janela.
–Entendi, Gabriel, sua historia é impressionante mas eu acredito em vc e nessa sua entidade, meio esqueleto e cobra, com olhos amarelos.
—Viu! eu só posso estar louco, não acredito que vivi aquilo.
–Não se preocupe, você não esta louco, amanhã quando seus pais chegarem, você ficara bem hoje ficaremos aqui ou em minha casa. Debora, já deve ter pegado seu celular para você falar com seus pais. Até lá, mantenha a calma você esta seguro. Debora que bom que você chegou.
– Seu Gomes, não esta nada bem. Cheguei lá, tava um cheiro horrível de vômito, só fiz pegar as chaves e "fuime" embora, aquele quartinho de zelador está in-su-por-tá-vel.
    Fui nem olhar como o coitado esta. Parece que ta com um negócio, nos rins ai uma doença que pega das baratas. Deus me livre! Jesus acende a luz.
– Meu amor, se incomoda de ir pegar umas cobertas e travesseiros, Gabriel e eu, vamos dormir aqui. Por de ser filho?
–Sim, pode sim obrigado.
–Ta certo, eu vou lá buscar! Já volto.
–Obrigado, Debora. Fique calmo, ok. Tudo vai se resolver, graças a Deus, você não se machucou na queda, vamos depois investigar sua estória. Você não esta louco, deve ser só alguma coisa relacionado a sua primeira vez sozinho em casa nada pra se preocu.
   Debora? Esqueceu de algo?
   Debora?
   Que cara é essa garoto? O que ta acontecendo? Seu gom...
–É você? O que fez com ele? Ele ta sangrando. Não! Me deixa em paz! Por que você não me deixa em paz? O que eu te fiz?
–Finm.

     




Paulo Alcides
Enviado por Paulo Alcides em 05/06/2020
Reeditado em 06/06/2020
Código do texto: T6968760
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Sobre o autor
Paulo Alcides
Fortaleza - Ceará - Brasil, 28 anos
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