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SOZINHA

      O movimento das festas de fim de ano sempre que obriga a trabalhar até tarde, e consequentemente, voltar pra casa só depois de dez horas. Não sou nem um pouco medrosa, mas não posso negar que fico um tanto receosa ao passar pela minha rua nesse horário. Fico tudo tão escuro e deserto...
      Nessas horas que sinto falta de um amor, de um companheiro, que estivesse disponível pra cuidar de mim, para me proteger e fazer eu me sentir mais segura. Mas eu não acredito que exista um homem assim. Pra falar a verdade, eu não acredito no amor, paixão ou coisa parecida.
      Enfim, acabo sempre indo sozinha, e nunca acontece nada. Chego sempre viva em casa. Porém, houve um dia, em que eu pensei que isso não aconteceria. Assim que deixei as ruas movimentadas do centro e entrei na pequena rua do vilarejo no qual eu morava, percebi que um homem me seguia. Eu tentava não olhar pra trás e apertava o passo, mas ele continuava a vir atrás de mim.
      Comecei a me apavorar. Parecia não haver nenhum vizinho acordado para me ajudar. Se eu gritasse, não daria tempo suficiente para que alguém me socorresse e eu ia acabar sendo vitima daquele sequestrador, ou estuprador. Não sei o que ele queria comigo, mas coisa boa não era. Na minha cabeça passavam as situações mais monstruosas possíveis!
      Estava suando frio e minha casa parecia não chegar nunca. Tudo que eu queria era entrar e fechar tudo quanto é portas e janelas. Eu conseguia sentir a presença do homem cada vez mais perto e quando ele gritou, “Moça!”, eu senti algo que nunca tinha experimentado. Minha boca ficou seca, minha espinha congelou e eu paralisei. Na minha mente, eu queria correr, mas meu corpo parecia petrificado, como naqueles pesadelos que você luta pra acordar mais não consegue...
      Quando o tal homem chegou bem perto de mim... Me contou sobre o dinheiro eu deixara cair na rua, enquanto mexia na minha bolsa e aproveitou para se apresentar, já que acabara de se tornar meu vizinho. Eu ainda não conseguia falar direito. Estava realmente assustada.
      Depois daquela noite, acabamos nos conhecendo melhor e ficamos completamente apaixonados um pelo outro. O que eu imaginava ser um criminoso, na verdade era o meu verdadeiro amor, que eu já acreditava não existir pra mim. Até hoje damos gargalhadas sobre esse primeiro encontro...
Estranha mente
Enviado por Estranha mente em 23/12/2019
Código do texto: T6825396
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Sobre o autor
Estranha mente
Água Azul do Norte - Pará - Brasil, 21 anos
17 textos (751 leituras)
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