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A praga

Numa ilha em algum lugar do pacífico, brotou do céu, inferno ou das mãos de quem era regido pelo signo da erradicação, uma semente, seu tamanho assemelhava-se a de um abacate, um pouco mais fina, um pouco mais rústica. Parecia ser obra da vegetação local.
Ela encontrou o solo abraçando a terra terna numa dança comum dentro do espectro natural e germinou lançando sobre o solo seu caule frágil e desgrenhado.
O milagre da natureza acontecia mais uma vez, brotava-se vida. E a vida se reproduzia. Era o que se esperava. Mas talvez, dessa vez, outra coisa acontecia.
A planta cresceu como praga e em poucos dias tomava extensões territoriais inimagináveis, alimentava-se da vegetação local, e resistia aos demais tipos de terreno e clima.
Suas flores, grandiosas e belas, compartilhava espaço com frutos suculentos. E sua altura era o suficiente para que qualquer criança pudesse alcança-los e maravilhar-se.
A ingestão do fruto matou o primeiro habitante, talvez ironia do destino. O odor das flores adoecia animais, novamente uma infelicidade.
As autoridades assustaram-se tratava-se de uma calamidade de proporções maiores que o imaginado em tampouco tempo.
A planta tinha longas raízes e uma velocidade reprodutora assustadora. Logo virou notícia no jornal local, na tv local, de repente regional, nacional e inimaginavelmente internacional.
Era definitivamente uma obra pura da extinção que materializava-se e espalhava-se.
Especialistas e não especialistas, à ferro e fogo, tentaram enfrenta-la, sem nenhum sucesso.
Decidiu-se pelo abandono da ilha e isolamento total dela, tirando-a do mapa, sendo destino proibido, não falado e intocável na história da humanidade.
Hoje não se sabe muito bem, se tal informação é uma lenda, uma brincadeira ou simplesmente uma realidade inacreditável.
Mas vez ou outra quando uma embarcação some, ainda me vem à lembrança que em algum lugar a planta ainda vive e espera ser compartilhada com os continentes mais próximos.
Ouvi dizer que alguém guardou uma semente para estudo em algum lugar. Sinceramente espero que esse alguém faça melhor uso da semente do que eu fiz com a minha.
Rangel Paiva
Enviado por Rangel Paiva em 05/12/2019
Código do texto: T6811906
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rangel Paiva
Mari - Paraíba - Brasil, 26 anos
111 textos (1922 leituras)
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Rangel Paiva