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conto: “A única pessoa em seu caminho é você próprio.”

   Eu sempre soube que havia algo pelas beiradas a observar que deveria temer. Um completo estranho. Ou um conhecido íntimo. Aquilo que lhe sonda planejando um ataque tende a ser imperceptível não importa o quanto se zele. No meu caso, isso formava-se distanciadamente uniforme à minha imagem e pelas sombras, à minha própria sombra ou o meu reflexo. Dualisticamente. Comigo, isso agravou-se com o senso de percebê-lo escorado ao vagão à frente do meu enquanto voltava pra casa de metrô. Semanas atrás, eu deparei-me com isso ao cruzar uma ruela escura com outro rapaz em minha direção, e estremeci-me paralisadamente ao ver em seu rosto os meus próprios traços. Ou, como dias atrás enquanto eu ensaiava pro meu próximo papel no teatro do qual faço parte diante de um largo espelho e o meu reflexo cessou os seus movimentos, a me fitar, paralisando-me, e amedrontado encolhi-me chorosamente. “A arte imita a vida”, isso soa-me como uma premonição, pois estou a me preparar para interpretar um papel gêmeo de doppelgängers. “Black Swan distorce-se da fantasia e se torna uma psicose realística,” fora o que o meu diretor anunciou aos patrocinadores ao introduzir-me com a nova peça. Ele aconselhou-me de que estou a me demandar além das minhas próprias expectativas inseguras. Meu psiquiatra aumentou a minha dosagem medicamentosa. Minha mãe, temerosa pela a minha sanidade cultivadamente pura, tenta coagir-me a largar o cujo papel. Nenhum desses meios cessou a aproximação disso. Ontem à noite, enquanto penteava a meu cabelo, finalmente vi paralisadamente a isso cara-a-cara a fitar-me com orbes vis sorridentes, isso havia por fim invadido ao meu espaço mais íntimo e à minha própria frente ao espelho e, abruptamente, senti-me zonzo, decaindo-me no tapete em sono profundo. Há pouco, acordei-me espreguiçadamente confortável em minha cama. Sinto-me devidamente no lugar. Enquanto penteio ao meu cabelo, vejo a mim chorosamente mudo refletido ao outro lado do espelho debatendo-se com os punhos contra a psicose que nos parte e também nunca nos separou. Hoje, eu sou alguém diferente, preparado pra dualidade vil desta peça com as cortinas de uma nova manhã abertas. Este é o meu dia. Hoje, é a minha vez de brilhar.
LiLoham
Enviado por LiLoham em 04/12/2019
Reeditado em 04/12/2019
Código do texto: T6810594
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LiLoham
Anywhere - Tuscany - Itália, 25 anos
35 textos (1299 leituras)
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LiLoham