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OBRAS DE SANGUE

Joice era a estrela daquela exposição, quadros feitos com traços finos e que transpareciam a idéia de homenagear a cidade em que morava e passava por momentos turbulentos e misteriosos. Obras que retratavam as belezas daquela pequena cidade do interior. Seria uma maneira de amenizar os acontecidos? Pessoas estavam sumindo de maneira estranha, sem explicação, simplesmente  desapareciam sem deixar rastros.
Joice aproveitou o belo dia de sol para expor seus desenhos ao ar livre e os vendia a preços populares, menos de uma hora havia vendido todos, um sucesso total. Ela percebia que suas pinturase desenhos conseguiam tirar alguns tímidos mas sinceros sorrisos daqueles rostos tristes.
Mario, namorado de Joice, sugeriu um brinde. Os convidados ergueram suas taças de champanhe e gritaram “Viva a Joice”, aquele momento estava realmente lindo.
Quando tudo parecia perfeito, a polícia chegou ao local. Joice e seu namorado foram recepciona-los.
_Boa tarde policiais. Sejam bem-vindos. Disse Joice, muito sorridente.
O delegado Oscar e os outros dois apenas acenaram com a cabeça.
_Que bom que vieram, pena que já vendemos todos os quadros, mas ainda podem aproveitar o final da exposição. Disse Joice.
_Dona Joice, nós recebemos uma denuncia anônima de que a senhora estava envolvida no sumiço das pessoas dessa cidade? Perguntou o delegado.
_Isso só pode ser uma piada! Eu amo essa cidade, nasci aqui, conheço todos. Disse Joice.
_Nossa fonte nos disse que a senhora estava ocultando cadaveres em seu atelier. Completou o delegado.
_Vocês podem ir até lá, eu não devo nada. Disse Joice.
_Já fomos, e encontramos trinta e oito corpos ressecados em um fundo falso. Falou um dos policiais.
_O que está acontecendo aqui? Interviu o namorado de Joice.
_Estão dizendo que eu matei todas as pessoas que sumiram. Eu não saio de casa nem pra comprar tinta, tenho medo de tudo, se não fosse mário trazer as tintas e cuidar de mim não haveria exposição. Disse Joice Chorando.
_A senhora está presa! Disse o delegado.
_Não pode ser. Disse Mario.
Colocaram Joice no banco de trás do carro e a levaram até a delegacia, no caminho o delegado indagou:
_Essas pessoas sabem que a tinta do quadro que compraram é feita de sangue?
_Sangue? Minhas tintas? O que o senhor está falando? Respondeu Joice.
_Não se faça de desentendida, encontramos o sangue dos corpos na composição de sua tinta, não tem mais como se defender.
_Ta bom, vou contar tudo. Eu matei mesmo. Utilizei o sangue inútil dessas pessoas podres e fedorentas dessa cidade.
O delegado ficou impressionado com a frieza daquela mulher. E completou:
_A senhora vai apodrecer na cadeia.
_E vocês no inferno.
Quando estavam passando por cima de uma grande ponte, Joice tirou um estilete do bolso e cortou o pescoço do policial que dirigia. O carro desgovernou e caiu de uma altura de 30 metros e afundou no rio.
Os corpos dos policiais estavam dentro do carro, presos pelos cintos. O corpo de Joice perdeu-se pela correnteza e nunca foi encontrado. Não houveram mais exposições na cidade, mas as pessoas continuam sumindo.
Cristian Canto
Enviado por Cristian Canto em 20/03/2017
Código do texto: T5946921
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cristian Canto
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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Cristian Canto