A Feiticeira Traída e o Príncipe Sombrio

A lua negra pairava sobre o Reino de Valtheris, sinal de que tempos sombrios estavam por vir. Entre os salões de mármore do castelo, a jovem maga Seraphine caminhava, sentindo um frio cortante que vinha não do inverno, mas da traição que se aproximava.

 

— Você está inquieta — disse Darius, o príncipe herdeiro, ao encontrá-la nos jardins. Seus olhos dourados refletiam a luz das tochas, e seu sorriso era tão encantador quanto perigoso.

 

Seraphine hesitou. Havia algo em Darius que lhe causava arrepios, algo que sua magia sussurrava em advertência. Mas ela o amava, ou ao menos acreditava amar.

 

— Algo não está certo, meu príncipe — murmurou. — Sinto trevas se reunindo ao nosso redor.

 

Darius segurou sua mão e a levou aos lábios, um gesto que, em outra época, teria feito seu coração acelerar. Mas agora parecia um toque de gelo.

 

— Então devemos estar atentos. Confie em mim, minha bela feiticeira.

 

Ela queria acreditar. Mas na noite seguinte, tudo desmoronou.

 

O rei foi assassinado em sua câmara. As portas estavam trancadas por dentro, mas um feitiço sombrio havia sido lançado. Todos os olhos se voltaram para Seraphine. Ela era a única com poder suficiente para conjurar tal encantamento.

 

— Eu não faria isso! — gritou, seu coração se despedaçando enquanto os guardas a cercavam.

 

Darius, no entanto, permaneceu imóvel. Sua expressão estava sombria, sua voz, fria.

 

— Seraphine, minha doce Seraphine… Por que nos trair?

 

Foi nesse momento que ela compreendeu. Não havia um inimigo invisível. O inimigo estava bem diante dela.

 

— Você… foi você… — sussurrou, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos.

 

Darius se aproximou, inclinando-se para sussurrar ao seu ouvido:

 

— Eu sempre quis o trono. E para isso, precisei de um monstro. Você será perfeita para esse papel.

 

A raiva tomou conta dela, mas antes que pudesse reagir, os guardas a algemaram com correntes encantadas. Seu próprio povo a condenava. Seu próprio amor a traíra.

 

Mas o destino não estava escrito. No calabouço, um aliado improvável surgiu.

 

— Eu sei a verdade — disse Kaelen, o comandante da guarda, seu olhar queimando de fúria e compaixão. — Darius deve pagar.

 

Seraphine ergueu os olhos, uma chama surgindo em seu peito. Ela havia amado e sido traída. Havia sofrido e sido humilhada. Mas não seria destruída.

 

Juntos, orquestraram sua fuga. E quando a lua negra brilhou no céu mais uma vez, Seraphine retornou ao castelo, envolta em uma tempestade de magia. O salão do trono tremeu quando ela entrou, seus olhos brilhando como brasas.

 

— Darius! — Sua voz ecoou como um trovão. — Você pensou que poderia me enterrar na escuridão, mas esqueceu que eu sou a luz que a devora!

 

Darius se ergueu, um sorriso de escárnio nos lábios. Mas então Kaelen surgiu atrás dele, lâmina em punho.

 

— O jogo acabou, traidor — rosnou Kaelen.

 

A luta foi intensa. Magia contra aço. Luz contra sombras. No final, foi Seraphine quem lançou o feitiço final, um encantamento que arrancou de Darius toda a sua magia e poder. O príncipe caiu de joelhos, derrotado.

 

— Você poderia me matar… — sussurrou ele.

 

Seraphine se aproximou, olhando nos olhos daquele que um dia amara.

 

— A morte seria um presente. Você viverá para ver o reino florescer sem você.

 

Darius foi exilado, condenado a vagar sem poder e sem nome. E Seraphine, com Kaelen ao seu lado, reconstruiu Valtheris. Seu coração carregava cicatrizes, mas também uma força renovada.

 

E assim, a maga que fora traída tornou-se a salvadora do reino, provando que mesmo as dores mais profundas podem ser transformadas em poder.