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Cabelo de Fogo - Cap 01: Princesa Ruiva

Princesa ruiva. Era assim que a pequena Justiniana era costumeiramente chamada por seus pais e pelos criados da fazenda onde vivia. Filha de Dona Carmesina e Ribaldo Arandes, um dos poderosos coronéis de Terra Brava, cresceu cercada de mimos e privilégios.
 
Sua pele clara e seus encaracolados e belos cabelos ruivos eram tratados com os melhores produtos que o dinheiro podia comprar, tudo para manter a aparência impecável de princesa e, como passou a perceber desde cedo, para a mãe orgulhosamente desfilá-la diante das amigas da alta sociedade.
 
Aquela exposição realmente incomodava Justiniana, mas não tinha como ir de encontro ao jeito controlador da mãe, principalmente porque era apoiado por seu pai, que gostava de ver a filha como a boneca mais linda de Terra Brava.

Como filha única, geralmente não tinha crianças da sua idade para brincar e muitas vezes ficava apenas ela e a mãe sozinhas no imenso casarão da família, acompanhadas apenas pelos criados, que vez ou outra eram solicitados por Dona Carmesina para lhes passar algumas ordens sobre os afazeres diários.

O único momento em que se sentia mais livre e podia agir como uma criança era no período das férias escolares no meio do ano. Nessa época sua cidade natal, Serrana, se enfeitava de bandeiras, lamparinas e fogueiras nas ruas para comemorar o chamado mês de São João, o Santo das Fogueiras. Era também nesse período que recebia a visita das primas que moravam em Casa Grande, cidade que ficava alguns quilômetros ao leste.

Mas mesmo nesses momentos de maior liberdade, Justiniana percebia a vigilância do pai que, mesmo não estando por perto, mantinha sempre algum de seus homens de confiança, ou jagunços, observando a filha. Um deles em especial era o que mais ficava encarregado dessa missão. Seu nome era Jairo.

Como toda criança, Justiniana rapidamente se acostumou com a presença do jagunço. Mesmo com sua cara constante de poucos amigos, percebia que ele realmente se preocupava com sua segurança. E a situação acabou virando motivo de brincadeira. Justiniana passou a se esconder entre as árvores para saber se aquilo gerava algum tipo de preocupação no sujeito.
 
O jagunço apenas aguardava, as vezes em pé, as vezes montado em seu cavalo, a impaciente garotinha sair correndo e mudar de árvore, como se aquele movimento fosse rápido o bastante para enganar seu olhar atento. Com o tempo ele passou a se divertir também, rindo da inocência da criança.
 
Mal sabia Justiniana, alheia aos conflitos que envolviam sua família, que eventos próximos mudariam sua vida para sempre.
MiloSantos
Enviado por MiloSantos em 22/06/2020
Código do texto: T6985245
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Sobre o autor
MiloSantos
Aracaju - Sergipe - Brasil
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MiloSantos