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A velha paineira

Eu ainda lembro bem da velha "paineira".
Ela deveria ter mais de cinquenta anos.
Tinha mais de cinco metros de altura.
Ficava bem na beira da estrada.
Em frente à colônia dos lavradores.
Em sua maioria os colonos eram italianos ou espanhóis.
No fim da tarde após a labuta na roça, muitos sentavam embaixo da velha paineira.
Lá tinha um grande banco de tronco de arvore.
Sentados e bem a vontade conversavam.
Entre um cigarro de palha e outro colocavam os assuntos em dia.
Falavam do preço da saca de café, da colheita,
comentavam sobre a política no município,
sobre o tempo e tantos outros assuntos.
Ali ficavam conversando horas e horas até o anoitecer.
No sítio ainda não tinha energia elétrica e nem telefone.
A diversão era ouvir o rádio de pilha,
assistir o jogo de futebol aos domingos,
participar dos terços e novenas nas casas e ir à missa aos domingos na capela do bairro.
Com a crise na agricultura,
a maioria dos lavradores mudaram.
Alguns foram para a cidade.
Outros para as grandes cidades.
Já não existe a colônia.
As casas ficaram abandonadas.
Já não existe o campo de futebol.
A capela ainda está lá de pé sobrevivendo ao tempo.
O movimentado bairro de outrora desapareceu.
E a "paineira" velha, esta sim ficou e até hoje está lá no mesmo lugar de sempre marcando gerações que passaram...
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 23/10/2015
Reeditado em 15/12/2017
Código do texto: T5425073
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Benedito José Rodrigues
Osasco - São Paulo - Brasil, 63 anos
96 textos (2418 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/01/20 13:45)
Benedito José Rodrigues