Prendam as Panelas!
24.01.24
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O casal sentou junto ao guichê de atendimento da concessionária de água da cidade, naquela manhã tórrida de sexta feira. O atendente, isolado por anteparo de acrílico, “manezinho”, como se apelida os nativos da ilha de Santa Catarina, de olhar firme, rosto curtido e bronzeado, os cumprimentou, sendo retribuído pelo casal.
Entregaram a documentação, que solicitava nova entrada de água em imóvel de sua propriedade. Examinou-as sério e calado, em silencio prolongado, deixando-os apreensivos e preocupados.
Depois, ao ver o endereço da ligação, perguntou:
-Sabem quem foi Luiz Paulo da Silva? – nome da rua do imóvel, surpreendendo-os pelo inusitado da questão.
-Não sabemos, não? – respondeu o marido , com a mulher olhando-o apreensiva.
-Foi um Delegado de Polícia que morou naquela região por muitos anos e era chamado de “Mané” Luiz Paulo. O conheci quando pequeno, pois sou nascido e morador lá, onde todos se conhecem ou são parentes, convivendo como uma grande família, que realmente somos, os “manezinhos da ilha”.
-Interessante! – comentou a mulher, atenta à fala do atendente, que seguiu com a história animado.
-Então, aconteceu um caso muito curioso. Um grupo de rapazes resolveu fazer uma galinhada. Mas, não tinham as galinhas. Para solucionar o problema, roubaram-nas de um morador, entrando no seu galinheiro. Cozinharam na praia, fazendo fogueira, levando panelas, pratos, enfim um pique nique na areia. Beberam bastante, com o neto do delegado no grupo – falando com um certo ar cômico nas palavras, prenunciado o final da historia.
O casal ouvia o desenrolar dos fatos atentos para saber o que aconteceria, prevendo que a policia seria chamada e prenderiam a todos, pelo roubo das galinhas.
-O morador lesado chamou a polícia. Veio o delegado em uma viatura – um fusca pintado de preto e branco, anos sessenta, com dois policiais.
Ao chegar à praia, vendo que seu neto estava no grupo, fato que não esperava encontrar, ficou pensativo por instantes, pois roubo, mesmo que de galinhas, era assunto sério.
-Então Doutor, levamos eles? – perguntou um dos guardas, pela demora na definição do delegado.
-Prendam as panelas e libere os meninos ! respondeu o “Mané” Luiz Paulo - terminando a história com um sorriso nos lábios
O casal riu gostosamente, principalmente o marido, pois foi de fato uma situação com final inesperado e cômico. Este, ainda rindo falou ao atendente:
-O neto salvou a rapaziada, mas não a galinhada, não é?
-Sim, e contam que, depois o Delegado jantou com ele o que sobrou.