Meu mundo encantado - BVIW

Tema: conto inspirado em imagem

 

Em 1974, a família Carvalho Castro ganhou da prima Tânia um cachorro da raça “pequenês” e deu-lhe o nome de Ringo. Foi um dia de puro contentamento, pois foi o primeiro animal de estimação dos irmãos Cássia, Carla e Eduardo. A família tinha se mudado de um apartamento em Belo Horizonte para a pequena cidade do interior, Lagoa da Prata. O pai alugou uma casa com um quintal imenso, de terra batida, com muitas árvores frutíferas, como mangueira, abacateiro, goiabeira, ameixeira, figueira. As casas daquela época não tinham muros na frente e as portas conservavam-se sempre abertas, sendo fechadas somente à noite. Mas o quintal era o mundo daquelas crianças! Toda arte que se possa imaginar ganhava vida a partir das mentes delas! Subir nas árvores, balançar no balanço de pneu, fazer guisado, espiar o quintal dos vizinhos, correr do Ringo até que ficasse com a língua de fora, mexer com as galinhas cheias de pintinhos… As duas irmãs eram muito amigas e estavam sempre juntas; o menino era o caçula e, não raro, arranjava encrenca com as irmãs, coisa de menino arteiro. O quintal era de sol, de energia, de vigor! O verão era chuvoso, tão chuvoso que fazia lodo no chão de terra batida. Cassia detestava aqueles dias que a privavam de brincar no quintal! Ela precisava do sol para viver, como a planta. O tempo voou, com chuva ou sol, mudando as crianças por fora e por dentro. A família aumentou em onze anos com mais um casal de irmãos, Carol e Kennedy. Ringo já era quase um idoso, mas dera para descambar pelas ruas da cidade. Sr Antônio construíra uma casa noutro bairro, e depois disso Ringo não respeitava mais os meninos. Fugia, deixando a família aflita e fazendo Cassia e Carla chorarem todos os dias, até chegado um dia em que nunca mais voltou. Ingrato, pensava Cassia. “Como pode virar as costas pra sua família?” A dor de perdê-lo só foi recuperada pela chegada do outro cão, o Piloto, um pastor alemão que derrubava o vendedor de pão em sua bicicleta toda vez que passava na rua, às seis horas da manhã…

Cassia Caryne
Enviado por Cassia Caryne em 22/01/2025
Código do texto: T8247002
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