O Voar da Vida
21.01.24
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Chovia naquele final de tarde. Era fraca, não como a dos últimos dias, temporais de alagamentos. Os pássaros, já se recolhiam, alguns nas árvores próximas, outros, voavam em grupos para os seus ninhos distantes.
As andorinhas, aos bandos, ziguezagueavam piando alegres em voos incertos de curvas, subidas e descidas espetaculares, que talvez, nenhum piloto conseguiria fazê-las, suas acrobacias!
Então, uma fragata com seu voar puro e majestoso de longas e esbeltas asas, surgiu silenciosa no alto, quase junto às nuvens, não planando como de costume, mas batendo-as cadenciadamente em direção ao maciço florestal em morro próximo. Não estava sozinha, outra a acompanhava a certa distância, mas na mesma linha, ou rota. Talvez, a primeira fosse a líder.
Depois, mais duas, três, quatro, enfim, um enorme bando de fragatas seguindo-a para o seu refúgio, como uma sinfonia muda.
A chuva caía fina, fazendo com que desaparecessem, uma a uma, engolfadas pelo cinzento céu chuvoso, despedindo-se silenciosamente do dia. Uma visão calma, de sossego, de paz.
As andorinhas, seguiam no seu frenesi diário, como crianças brincando ao final da tarde. Uma alegria!
Amanhã, o mesmo ritual de ir vir da vida, com a placidez das fragatas e a alegria infantil das andorinhas, que se perpetua cotidianamente com o seu voar.