Vai que...
18.01.24
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Iam de carro para a praia costumeira, distante vinte quilômetros da sua casa. Saíram cedo para evitar o trânsito pesado e não ficarem parados nos engarrafamentos, pois conforme seguia o dia tornava-se infernal, era temporada, com a cidade lotada de turistas. Paravam o auto em um estacionamento quase pé na areia, uma praticidade, pois achar lugar para estacionar era quase impossível. Mas, lotava também, mais um motivo para chegar cedo.
- Você trouxe shorts? - perguntou ela, pois ele dirigia só de sunga e sandálias de borracha, mas descalçadas, pois sempre pedia-lhe para não pilotar com elas para não enroscá-las no acelerador e causar acidentes.
- Não!
- Olha, vai que, como aconteceu uma vez indo para a praia com meu ex-marido, que estava assim como você e bateram na traseira do nosso carro, obrigando-o sair de sunguinha pra discutir com o motorista que bateu. Foi cômica, a cena! Ele riu e nada disse.
Chegaram ao estacionamento, entraram, pararam na vaga de sempre, pegaram as tralhas, guarda-sol, cadeira e foram à praia.
Eram nove horas da manhã, o dia estava ensolarado, de poucas nuvens e a brisa das dez horas ainda não acordara. O mar azul, quase anil, emoldurava a praia com suas fortes ondas, já com muitos banhistas e turistas - a maioria de argentinos com suas enormes famílias e barracas montadas para passarem o dia até anoitecer. Inundavam a praia!
Instalaram-se em local mais afastado da aglomeração, fincando o guarda-sol na areia. Foram caminhar até uma enorme árvore, que única , se pronunciava na duna. Andavam junto ao quebrar das ondas, sentindo a frescura da água nos pés. Depois, mergulharam no azul-marinho do mar, refrescando-se. Uma delícia de dia, uma dádiva!
Voltaram para o local em que instalaram o guarda-sol, ela se deitou para se bronzear e ele se sentou na cadeira, observando a paisagem, as pessoas e o levantar da brisa, que chegou fresca e acolhedora, amainando o calor do meio da manhã.
Por volta das onze horas, levantaram acampamento felizes e voltaram caminhando pela praia lotadíssima ao estacionamento, sem qualquer espaço entre as barracas e guarda-sóis - um enorme amontado de pessoas, sons e idiomas, como uma Babel.
Junto ao carro, limparam a areia das tralhas, das pernas e do corpo. Ao mesmo tempo, um auto com placa da Argentina, entrou devagar no estacionamento com o motorista vendo que sairiam, parando mais a frente da traseira do seu veículo, aguardando.
Entraram no carro, ele deu a partida , ela no banco do carona e viu o argentino esperando sua saída. Começou a dar ré, virando toda a traseira do veículo para a direita. Depois, foi para frente para poder dar nova ré e sair da vaga, pois esta era junto a um canteiro, obrigando-o a fazer essa manobra por falta de espaço.
Ao ir para frente , depois dar a ré, o argentino pensou que saiam da vaga e simultaneamente deu a ré também, batendo na lateral do seu carro.
-Caramba, mas como que esse gringo bate no nosso carro? O filho dele estava lá fora para sinalizar e não falou nada. Que absurdo! –disse ela saindo do carro em direção ao portenho, atônito também pelo acontecido.
-Vamos acionar o seguro do estacionamento – falou a mulher voltando depois de algum tempo de conversa com os argentinos.
Foram de carro até a entrada do estacionamento. A atendente fez suas considerações. O argentino e o filho vieram até eles a pé .
Então, ele teve que descer do carro só de sunga, para conversar com o gringo. Ligou para o seu corretor de seguros, que o orientou de como fazer. Trocaram telefones, fotografaram os documentos do carro e do motorista argentino. Depois, iniciaram a volta para casa.
No caminho, ele fala para ela em tom brincalhão:
- Que boca santa você tem, hein?
- Viu só! Quem diria que aconteceria exatamente como o caso do meu ex-marido que te contei hoje cedo, hein? – disse rindo para ele.
- Pois é! Aproveitando, pensa em seis números da mega sena, vai que...