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DIÁRIO DE UM ADOLESCENTE

Ele tinha quinze anos e uma vontade enorme de ser feliz.
Suas idas e vindas no banheiro várias vezes ao dia, constatava esse sintoma...
Francisco, mas também chamado de Chico, morava com sua mãe e sete irmãs. Ana, tinha vinte e dois, logo a seguir, Mirian com vinte um, Maria com vinte, Cleonice com dezenove, Zuleika com dezoito, Regiane com dezessete, Regina com dezesseis e o caçulinha Chico, com quinze. Uma perfeita escadinha...

Dona Severina, a matriarca, passava o dia fora de casa trabalhando como diarista. Quem cuidavam da casa de segunda a sexta eram: Cleonice, Zuleika, Regiane e Regina. Ana, Mirian, e Maria, como a mãe, também trabalhavam fora e só faziam tarefas em casa no final de semana. O sitio onde moravam, era um pouco afastado da cidade. Pra chegar no centro, precisavam andar três quilômetros e meio. Elas não reclamavam, sabiam da necessidade e caminhavam juntas todos os dias. De segunda a sexta, saiam seis horas da manhã e retornavam à noitinha.
A vida era dura, mas eram felizes!
As irmãs de Chico, além de cuidarem da casa, plantavam o que podiam. Couve, alface, agrião, salsa, cebolinha e outras.
Chico também ajudava na lavoura, mas por ser o caçula, tinha uma certa proteção da mãe e suas irmãs trabalhavam bem mais e é claro, isso as irritavam.
Cuidavam de galinhas, porcos e uma cabra que dava leite.
A vida de Chico já não era mais a mesma... Algo tinha mudado dentro dele. Suas irmãs iam tomar banho no rio e Chico corria pra espiá-las. Saia correndo pra casa e se trancava no banheiro. Na roça era parecido, suas irmãs se abaixavam pra colher as hortaliças e novamente, Chico corria pro banheiro.
Tantas vezes por dia, que suas irmãs percebiam e brigavam com ele. Mas é claro que não adiantava... Os hormônios ditavam as ordens e a natureza seguia o seu curso.
Depois de algumas reclamações de suas irmãs, Dona Severina, viúva experiente, tratou de criar uma solução, mesmo que temporária. Mandou Chico passar férias na casa da tia Efigênia. Dona Efigênia morava na praia de Sepetiba, subúrbio do Rio de Janeiro. Chico, logo se adaptou, até porque em pleno verão, quem não gostaria de umas férias, ainda mais na beira da praia?.. Dona Efigênia morava de frente à praia. Bastava atravessar a rua e estava no paraíso.
Pra chegar na casa, tinha que subir quarenta e oito degraus.
É isso mesmo, quarenta e oito degraus... A casa ficava no alto do morro. Mesmo sendo uma praia um pouco deserta, não faltavam banhistas pra desfrutá-la.
Chico não saia da praia e logo, estava voltando ao hábito costumeiro, ou seja, suas idas e vindas suspeitas ao banheiro.
Nunca vi tanto gás... Bastava vê uma mulher de biquíni, que subia as escadas correndo. Já teve dia de se contar até oito vezes... Dona Efigênia não podia ter filhos e tinha pelo Chico o amor de tia e mãe ao mesmo tempo. Ela sabia o que estava acontecendo com o sobrinho e tinha o entendimento, de uma mulher compreensiva e tolerante.
Tanto que, quando Chico entrava no banheiro, ela fingia que não via. Não demorou muito, Chico conheceu uma mulher na praia. Chamava-se Marina e tinha dezoito anos.
Ele não teve nenhuma dificuldade na conquista, a bem da verdade, ele que foi conquistado. Marina já tinha uma boa experiência amorosa e Pra Chico, isso era ótimo e conveniente.
Já no primeiro dia de namoro, ele a levou pra conhecer a tia e a casa. Dona Efigênia, sendo uma boa anfitriã e querendo bem ao sobrinho, recebeu de braços aberto a sua namorada.
E até com um certo alívio, ela já estava preocupada com tantas idas e vindas ao banheiro...

Marina parecia estar no cio, igualmente a Chico.
Faziam amor em qualquer lugar, bastava a Dona Efigênia fazer vista grossa.
A tia não tinha filhos, mas tinha marido. Jorge, trabalhava o dia inteiro e só chegava em casa de noite.
Gostava muito de Chico e o tratava muito bem.
Chico aproveitava... Tinha a casa à sua disposição durante o dia e fazia amor com Marina onde pudesse. Até em cima da árvore, sem querer, já foram flagrados por Dona Efigênia, que desviava os olhares para não constrangê-los. Passaram-se os meses de Janeiro e Fevereiro e já no inicio de março, as férias terminaram.

Como era de se esperar, estavam apaixonados!
Marina morava ali perto e juraram amor eterno. Prometeram Um pro outro, de estarem juntos em breve.
Chico voltou pra Casa realizado. Tinha até se esquecido, que no inicio de Janeiro ainda era virgem... Chico parou de espiar as irmãs tomando banho e trocando de roupa. Bom... Só de vês em quando...
Nove meses depois, receberam uma visita inusitada.

Tia Efigênia, acompanhada de Marina e seu pais.
Como era de se esperar... Chico e Marina não usaram preservativos e as conseqüências foram evidentes...
Os pais de Marina vieram cobrar a paternidade e a mãe de Chico de pronto, assumiu a responsabilidade pra si, até com um certo orgulho e satisfação...
Chico ficou surpreso, mas adorou a novidade...
Naquele mesmo instante, Marina entrou em trabalho de parto, foi um Deus nos acuda! Por sorte estavam de carro e em alguns minutos, já estavam na maternidade da cidade.
Marina deu a luz a uma menina que nasceu linda e sadia pra felicidade de todos. Soraia é o seu nome e agora Chico terá que assumir várias tarefas na sua vida. De pai, marido, trabalhador e estudante e isso com dezesseis anos...
Pois é... Quem procura acha... Comeu da fruta, tem que chupar o caroço...

Fim


Carlos Mambucaba
Enviado por Carlos Mambucaba em 23/12/2007
Reeditado em 28/02/2008
Código do texto: T789616
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos Mambucaba
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 58 anos
516 textos (43381 leituras)
85 áudios (7737 audições)
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Carlos Mambucaba