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Quando vi o Sol pela segunda vez

Quando vi o Sol pela segunda vez
Quando vi o Sol pela segunda vez, foi quando senti que estava recebendo uma segunda chance.
Despertei como um condenado à morte sai do coma, ou de um sonho que parecia real, no qual  havia ansiado com todas as forças uma chance para viver mais um pouco. Despertei num respiro desesperado de quem estava afogando... Enfim, despertei...
Levantei-me, e como se estivesse em um novo planeta, olhei pela janela, não a janela da casa, mas a janela da alma e sorri  um sorriso que há muito eu não sorria.
Estava tudo ali como era antes, nada havia mudado, exceto o meu olhar.
Então, saí  e senti o vento tocando o meu rosto, parecia que estava alegre como quando um cachorro faz rodopios ao ver o seu dono chegar. Então, atentei-me para o som que as folhas das árvores faziam. Que música linda! A natureza compõe melodias que muitas vezes nem reparamos. Ao longe, o som de pássaros diversos, cachorros latindo, e até uma mãe bronqueando o seu filho. Uma orquestra incrível!
À porta de uma vizinha, o pingo de ouro está mais dourado, à porta da outra vizinha, a única rosa da roseira vermelha está mais vibrante do que nunca.
Que planeta é esse?! Dispus-me pelas ruas e vi  pessoas indo à academia, outras voltando do trabalho, crianças correndo para pegar a bola com os pés cheios de poeira, o rosto cheio de suor e a alma cheia de inocência e alegria. "Chuta pra mim, tio!" Grita o outro querendo se antecipar ao primeiro. Na esquina, duas garotinhas brincam de cozinha, uma delas para e diz: "Tia, você 'tá' convidada pra minha festa de pijama, viu?!"
Agradeço sorrindo e digo que senti-me feliz por fazer parte do clube das meninas.
A vida é linda!
Existem tantas razões pelas quais viver que a morte jamais poderia justificar-se pelas razões de morrer, pois a vida é infinitamente melhor.
Segui, andando pelas ruas, quero recuperar o tempo perdido: visitar pessoas, ler um livro na praça, apreciar o fim do dia enquanto as andorinhas fazem um baile no céu já procurando seus abrigos.
Sei que os problemas continuarão a existir, que não despertei em um mundo de fantasia, mas sei que existe muito amor divino disponível para mim, em toda parte. Por isto, não quero dormir tão cedo, hei de aproveitar,  a orquestra dos pássaros, o balé das árvores, o canto da cigarra anunciando a noite, a alegria das crianças,  o amor dos que me amam...
Quando vi o Sol pela segunda vez, eu o senti nascendo dentro de mim, rompendo minha alma em alegria porque mais uma vez a vida me abraçou, e agora sei ainda que seja  noite, o Sol vai estar lá comigo, usando a Lua como instrumento para dizer a mim que nunca estarei sozinha, ele sempre vai estar sobre mim e apontando o caminho em que devo andar.
Assim também, eu estou certa de que o Senhor Jesus sempre estará comigo nas horas mais difíceis e mesmo quando as nuvens cobrirem o Sol, a luz continua, a luz continua...
Não quero mais dormir, tudo que quero é aproveitar o dia em todos os seus momentos porque sei que dormir não apagará nem os problemas, nem a luz, então decidi focar na luz e em todos os bons sons que a vida toca para mim.
Claudia Nascimento
Enviado por Claudia Nascimento em 12/10/2019
Código do texto: T6767811
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Claudia Nascimento
Eunápolis - Bahia - Brasil
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Claudia Nascimento