UM DIA DIFERENTE

Gerson sempre foi um sujeito de sorte. Ele nasceu em uma família abastada e sem preocupações com dinheiro. Durante toda a sua infância e adolescência foi mimado e bem tratado pelos pais, tios, padrinhos e até vizinhos de apartamento. Gerson era o filho único de um casal de empresários do ramo de automóveis e restaurante. Ele viveu intensamente as várias aventuras. Mas já estava com quase 30 anos e não tinha ânimo para o trabalho ou casamento. Os seu pais tentavam estimulá-lo primeiro ao casamento com a filha do senador Passos Aguiar. Porém o jovem não se interessou muito. Depois os pais dele o incentivaram a ter contato frequente no escritório do velho advogado Pires Alcântara. Gerson até concordou ( na malandragem comprara um diploma do curso de Direito) mas as suas visitas ao escritório de advocacia resumia-se apenas a comentários sobre filmes, palpites de corridas de cavalos no haras do advogado. Ele já estava tão íntimo do escritório que sempre ficava con a cópia da sala do velho Pires Alcântara. Este advogado era um exímio colecionador de miniaturas de carros de luxo e guardava uma coleção raríssima naquela sala. Ele não deixava ninguém tocar em seu "tesouro". A coleção já estava incompleta por causa de um roubo ocorrido há meses. Por isso, o velho advogado recomendou a estrita vigilância dos seguranças em sua sala. No sábado, véspera de Natal, Gerson foi ao escritório para buscar uns papéis de apostas da loteria esportiva. O seu time era líder e seria campeão naquele fim de semana. Ele chegou no escritório e viu os "volantes" de loteria que esquecera no dia anterior. Quando saia da sala foi abordado pelo segurança do prédio que não o reconheceu prontamente. Gerson foi confundido com o frequente arrombador de salas. O segurança quase o espancou, mas foi interrompido pelo vizinho da sala 11 que reconheceu o jovem visitante. Após esse imprevisto, Gerson pensou que não teria mais problemas. Ele foi para casa e faltando apenas 40 metros da sua residência sofreu um assalto. Os ladrões levaram até a roupa dele .Ele, despido, se dirigiu ao seu prédio, mas o porteiro novato não o deixou entrar e ainda ligou para a polícia. Os policiais chegaram e ameaçaram prender o despido homem. Neste momento já existia na rua alguns curiosos, dentre eles duas mulheres que acusaram o homem nu como o tarado da rua 9. Gerson correu, dobrou a esquina, subiu a rua Santos Nóbrega, entrou no Largo das Lavadeiras e acomodou-se por trás da estátua do general Rodrigues Forte. Nos pés da estátua tinha um embrulho transparente que exibia alguns papelotes e notas de 50 reais. Gerson abriu o pacote, mas foi surpreendido por dois policiais. Um deles comentou com o seu companheiro: - Até que enfim soldado Matos, conseguimos prender o traficante que vende drogas na porta do colégio Bom Pastor. Agora seremos promovidos finalmente com essa prisão. Gerson foi conduzido para a cadeia pública sem acreditar naqueles equívocos. Naquele momento não tinha ninguém para soltá-lo. O velho advogado foi levado às pressas para o hospital com um AVC. Os pais de Gerson estava viajando de férias. Mas tinha o tio Juca que foi contactado e chegou prontamente na prisão. Porém ele não reconheceu na imagem do sujeito vestido de mulher, peruca e salto alto como o seu sobrinho. Os companheiros de cela tinha um ritual para os presos novatos. Todos vestiam-nos com roupas femininas. Gerson, sem dúvida, teve um dia diferente e mais difícil de sua afortunada vida. Ele ficou na cela na véspera de Natal.

Levi Oliveira
Enviado por Levi Oliveira em 24/12/2016
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