AS BARBAS DE DEUS

O tempo havia passado, desde nosso primeiro encontro, e já estava na hora de eu e minha neta Júlia evocarmos nosso acordo secreto com a fada Vidinha. Aquele acordo em que ela e suas amiguinhas, com o assentimento da Fada Madrinha e do Mago Merlin, nos premiaram com a possibilidade de nos encontrarmos, em sonhos, sempre que desejarmos.

Quer dizer: Sempre que desejarmos, sim! Mas, para isso, não podemos deixar de pronunciar as palavras mágicas que nos foram ensinadas. E essas palavras tem que ser pronunciadas “pelo poder do três vezes três”. Isto é, têm que ser pronunciadas, na ordem correta, por três vezes seguidas, em grupos de três!

Parece um pouco complicado! Mas, não é! Ao contrário, é simplesinho, de tudo!

Fazia um calorão danado e o relógio estava com os ponteiros avisando que era hora de dormir. Isso era confirmado pelas minhas pálpebras que já estavam pesando um pouco e teimavam em descer lutando contra as minhas últimas investidas em deixá-las abertas.

Por umas duas ou três vezes me peguei dormitando diante do computador, com as letras do texto que lia se confundindo, numa embaralhada geral.

Dei uma bela esfregada nos olhos, apaguei o computador, desliguei as luzes do escritório. Dei uma olhada no céu estrelado e fechei a janela. Fui para o quarto de dormir atirando-me na cama gostosa e macia. Em poucos segundos estava mergulhado em um sono de fazer inveja... Minha mulher, enrolada no cobertor, dormia a sono solto...

Conforme a fadinha havia prometido, desde nosso primeiro encontro, tive resolvido o meu grande problema existencial. A partir daquele dia, pude sonhar como qualquer pessoa e tive o prazer de enveredar pelo mundo onírico, encontrando-me com minha neta sempre que desejasse.

Foi assim que aconteceu, naquela noite. Sonhei...

Era um dia ensolarado e a manhã estava por volta das nove horas. Depois de uma breve caminhada pelas ruas da Quadra Central, procurei descanso em um banco de cimento nas proximidades da Padaria Mineira. Minha intenção era aproveitar e dar uma passadinha para comer uma tapioquinha na manteiga que era uma verdadeira delicia. Antes, porém, descansaria, um pouco, naquele velho banco que já estava se transformando em meu ponto de parada obrigatória.

O banco era comum como qualquer outro. Nada havia, nele, de tão especial. Mas, era um ótimo ponto de observação pelo movimento das pessoas e dos carros que não paravam de passar na minha frente.

Aproveitava momentos como aquele para observar as pessoas, suas andanças, movimentos corporais, atitudes, sinais faciais de alegria, preocupação, dúvida, etc... Havia alguns tipos que já se confundiam com o cenário do local, pela quase permanente aparição.

Às vezes era a mulher de meia idade, moradora de rua, andando para lá e para cá, falando sozinha em altos brados, ou cumprimentando os passantes que a ignoravam, fingindo que não a estavam vendo e nem ouvindo. Irritada, lançava imprecações e chamava essas pessoas de orgulhosas e egoístas.

Diariamente era o sujeito magro e cabeludo que usava uma enorme touca de crochê, colorida, onde guardava seus “cigarros” e outros pertences. Sua cabeça, com tanta coisa dentro da touca, ficava verdadeiramente disforme, nada havendo de harmônico em relação aquele corpo esquálido e comprido.

Esse pária social havia se apoderado do espaço de duas quadras e se transformado em negociante a céu aberto. Nomeara a si próprio um profissional “flanelinha” e controlava as vagas disponíveis ao longo das calçadas direcionando e coordenando o estacionamento, a permanência e a saída dos veículos, cujos motoristas, sempre apressados, agradeciam por ter onde parar.

Um pouquinho mais adiante, um sujeito vindo não sei de onde, escancarava as portas de uma velha Kombi de onde retirava grandes caixas de isopor. De dentro delas, uma variedade enorme de peixes semi-congelados, os quais passava a escamar e retirar as vísceras, apregoando o negócio. Olha o peixe fresco! Filé de tilápia, postas de pintado, piau inteiro! É barato, é bom e não faz mal!

À medida que o Sol esquentava, o cheiro do peixe ia sendo conduzido pela brisa morna e alcançava as narinas de quem estivesse a uma boa distância da “peixaria móvel”. Depois que se retirava, as escamas e o chorume sanguinolento que secava no asfalto davam conta do recado, avisando que por ali passara o comerciante com sua Kombi.

No balcão da padaria, pessoas apressadas se aglomeravam esperando ser atendidas pelos funcionários que numa azáfama sem parada iam atendendo, como podiam, os pedidos mais variados possíveis. Desde a tapioquinha, croquetes, tortas e bolos vários, passando pelo pão fresquinho que acabava de deixar a fornada.

Uns levavam seus produtos para casa enquanto outros comiam por ali mesmo, engolindo um pouco de café com leite ajudando a escorregada até à boca do estômago. Saiam dali, espavoridos para o trabalho ou outras atividades e compromissos. Assim começava o corre-corre diário...

Carros de som, em alto volume, passavam, aos montes, cruzando seus pregões, numa balbúrdia parecida com aquela que se via na novela da Globo, “Caminho das Índias”. Carro de som, em Sobradinho, uma praga pior que a Gripe Suína! E o governo, sequer se preocupa com a “vacina” ou a erradicação. Uma forma violenta de agressão a quem se vê obrigado a ouvir a voz do comércio que fala por todos os mecanismos possíveis e imagináveis.

Esse tipo de propaganda é, além de cruel, uma forma planejada de invasão. Enfia produtos e música de mau gosto no fundo da cabeça das pessoas que se vêem impedidas de desfrutar de sossego e paz. Os comerciantes vão, sob a complacência das autoridades, assegurando seus lucros.

Essas observações eram uma espécie de análise que sempre traziam algum subsídio para meus futuros escritos.

Estava, assim, pensativo e observador, quando, de repente, ouvi um barulhinho que já me era familiar. Zuuuuuuuummmmmmm!

De repente, um inseto esvoaçou ao redor da minha cabeça, deu umas três voltas e pousou, calmamente, no meu joelho direito.

Como já estava bem orientado de como agir nessas situações, percebi que se tratava da minha adorável abelhinha e, logo, pronunciei as palavras mágicas do ritual que a amiga Vidinha havia ensinado: “Karazim-lundundin-tikitin! Karazão-lundundão-tikitão! Karazaz-lundundaz-tikinaz! Zaz-zaz-zás! Zaz-zaz-zaz! Zaz-zás-traz!!!”

Assim foi dito e assim foi feito. Imediatamente, aquela abelhinha esperta saltou do meu joelho para o banco e, aos poucos, foi se transformando na minha netinha Júlia. Quando dei por conta, estava sentadinha ao meu lado. Deu-me um abraço apertado e um beijinho carinhoso, perguntando, toda alegre:

-- Oi, vô! Tudo bem? Ficou com saudades? Já faz um tempinho que não nos encontramos. Né?

-- Estava tudo bem, querida! Mas, com a sua chegada ficou muito melhor! Olha como o céu está mais azul, as nuvens mais brancas e o Sol mais brilhante ainda!

Ela deu umas piscadinhas, abriu aquele sorriso e foi logo falando:

-- Pois é! Contei pra todo mundo sobre aquele nosso primeiro encontro. Meus pais quase não acreditaram. Fiquei pensando como é que a maioria das pessoas adultas não entende essa magia de fadas e de palavras mágicas!

-- Não se preocupe com isso, Júlia! Há tempo para todas as coisas. Tudo acontecerá no tempo certo e, mesmo essas pessoas, um dia acabarão tendo experiências próprias e irão entender e acreditar. Veja o que aconteceu conosco!

Olhe só! Num livro sobre os ensinamentos da Grande Fraternidade Branca, fiquei sabendo que o ser humano, em determinado momento da sua história sobre o planeta, possuirá, não somente esses cinco sentidos que tem hoje, mas vinte e um, ao todo!

-- Que barato, vô! E como é que isso vai acontecer?

-- O livro diz que, no estágio atual de terceira dimensão, o homem é limitado a esses cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Isso, porque somente cinco por cento do hemisfério esquerdo do cérebro estão ativados. Mais lá para a frente, em outros níveis dimensionais, o homem estará ativando mais partes desse hemisfério cerebral e, terá, também, ativada boa parte do hemisfério direito.

-- E qual a importância disso, vô?

-- Bem! Segundo li, o hemisfério cerebral esquerdo é a sede do que se liga ao concreto e o direito, ao intuicional. Assim, o ser humano do futuro, será conduzido muito mais pelo seu lado sutil, do que pelo grosseiro. Isso atenuará muito o interesse pelo material e despertará o interesse pelo belo e pelos níveis superiores de consciência.

Veja querida! Pensei que esse tipo de assunto fosse um pouco difícil para uma menina da sua idade entender. No entanto, o meu lado direito do cérebro está avisando que posso estar redondamente enganado. Ele está insinuando que você pode não ser tão nova quanto penso e que seu corpinho pode estar dando abrigo a uma consciência bem mais antiga do que a minha própria! Pode isso?

-- Eu não estou achando nada disso complicado. Você não sabe que a maioria das crianças de hoje são “índigo ou cristal”?

-- Xi, menina! É verdade! Poderemos conversar sobre isso em outro dia. Está bem?

-- Está! Mas eu queria aproveitar esse nosso encontro para fazer algumas perguntinhas.

-- Então faça! Se eu souber responder, não farei cerimônia. Mas, não me venha com perguntas escalafobéticas. Está bem?

-- “Es-ca-la-fo-bé-ti-cas”? Que palavra mais engraçada! O que quer dizer?

-- É o mesmo que difícil, complicado. É uma expressão que amplia o sentido do que queremos dizer. Entendeu?

-- Sim! Entendi!

-- Sabe de uma coisa, vô? Você acabou de arranjar um nome para uma boneca para a qual ainda não tinha um. Vai se chamar assim mesmo! “Escalafobética!” Pronto! Está resolvido o problema! Minha irmã queria que eu colocasse outro nome. Sugeriu “Gelsomina”, mas eu achei muito feio para uma boneca de pano.

Feliz da vida pela solução encontrada, Júlia abriu uma sonora gargalhada. Hahahahahahahahahaha! Escalafobética!

-- Mas, então! O que você quer perguntar?

-- Bem, vô! É que eu vi um quadro lá na escola, que mostra Deus falando com um homem. Percebi que Deus tinha barbas branquinhas e o homem não tinha nenhuma. Porque Deus tem barbas brancas?

-- Xiiiiiiiiii, querida! Isso me parece bem complicado. Mas, vamos ver!

Todas as pessoas que tem barbas brancas são pessoas que já alcançaram uma idade bastante avançada. À medida que vão envelhecendo, acontecem certas mudanças no organismo que fazem com que os cabelos embranqueçam. Veja! Eu tenho barba branca!

-- Mas nem todos os velhos tem barbas brancas! Não é?

--Sim! Isso é verdadeiro! Acontece que uns raspam as barbas, outros não tem mesmo. São assim de nascença!

-- Até agora, estou entendendo. Mas, Deus é um homem?

Diante dessa pergunta, quase cai para trás. Como responder a uma criança esse tipo de coisa? Fiquei em uma situação completamente difícil o que, em gíria, diria se tratar de “uma sinuca de bico”.

“Lá dentro”, a consciência mostrava o caminho: “Lembre-se de que ela pode ser criança apenas na aparência”! “De repente, tem muito mais a lhe ensinar do que você a ela”!

-- Primeiro preciso saber por que você está perguntando isso?

--É que no quadro que vi, Deus era igualzinho ao homem que estava querendo segurar na mão Dele! Deus tinha cabeça, corpo, braços e pernas assim como as do homem e, a única diferença era que Ele tinha barbas e o homem não! As barbas de Deus eram branquinhas!

-- Como já expliquei, as barbas se referem à idade avançada, nos homens. Mas, na arte, os pintores e escultores procuram associar as barbas dos velhos, à sabedoria que eles acumularam ao longo dos anos, pela experiência na vida!

-- Então todo o homem de barbas brancas é sábio?

-- Não, querida! Assim deveria ser! Mas, isso não reflete a verdade! Os homens, sejam velhos ou não, usam barbas apenas por uma questão de gosto! Uns acham elegante, charmoso e outros não gostam nem um pouquinho do rosto cheio de pelos! Isso é coisa de estética, entendeu?

-- Sim! Entendi! Mas, as barbas de Deus são por causa da sabedoria ou da estética?

-- Hummmmm! Eu acho que Deus não se interessa nem um pouquinho pela estética pessoal! Acho que as barbas Dele inspiram respeito e sabedoria, ao mesmo tempo!

-- Então, posso entender que Deus é um homem de idade avançada e sábio?

-- Não, querida! Penso que Deus não seja um homem! Ao contrário do que parece, nos quadros e fotografias que você vê, essa aparência nada mais é do que “uma forma que o homem encontrou para criar um Deus à sua própria imagem”! Numa linguagem mais complicada, podemos dizer que isso é “a antropomorfização de Deus”! É complicado falar nisso! Muito complicado, mesmo!

-- Nossa! Mas que palavra difícil de se falar! An-tro-po-mor-fi-za-ção! Caramba!

Uma vez ouvi um colega falando que na casa dele, seus pais costumam ler um livro onde tem a “Palavra de Deus”! Então quer dizer que Deus fala? Qual é a língua Dele?

-- Puxa! Hoje você está pra lá de abelhuda! Onde foi que você colocou a chave desse seu perguntador?

--- Há-há-há! Vô! Você fala cada coisa engraçada? Per-gun-ta-dor?

-- É, sim! Perguntador! Sim senhora! É quando uma pessoa não para de perguntar sobre as coisas e você é uma dessas!..

Sabe de uma coisa, Júlia? Até acho muito bom que você faça tantas perguntas! Assim, tenho a oportunidade de cumprir com o meu papel de avô! Eita nóis!

Você fez uma pergunta bastante difícil! Sei que houve um tempo em que havia vários deuses e varias religiões! Isto é, existiam vários povos e cada povo tinha um “deus nacional”, além de outros “deuses regionais ou tribais”. Ao que parece, esses deuses falavam com alguns homens daqueles tempos.

Há um relato desses, na Bíblia que descreve o encontro do Deus de Israel, com Moisés, no Monte Sinai. Pelo que posso imaginar, ele deveria falar, pelo menos, a língua deles! Assim, podia se comunicar com alguns homens do seu povo!

-- E que língua eles falavam, vô? Acho que se o Moisés entendeu foi porque Deus falou na língua do seu povo que era o Hebraico! Mas isso é muito complicado de dizer, pois esse fato não foi visto por ninguém e a notícia chegou até nós através de um recurso que chamam de “Tradição”?

-- Tradição? E o que é isso, vô?

-- Menina! Acho que vou precisar comprar um dicionário para você! Assim fica mais fácil descobrir o significado das palavras! É só abrir na página correspondente e pronto! Você vai ficar uma bela sabichona!

“Tradição” é a transmissão oral, de valores espirituais, de geração em geração. Como essas coisas aconteciam em uma época em que não havia jornais, revistas, livros e nem rádio ou televisão, as notícias tinham que ser passadas de uma para outra pessoa. Assim, chegaram até os nossos dias. De modo geral, os assuntos religiosos foram difundidos dessa maneira!

-- E os outros deuses? Que língua falavam? Ah! Desculpe, mas isso eu não sei! Não sei mesmo! E acho que ninguém sabe! Ahahahahahah!

Bela pergunta, essa! Você me pegou direitinho!

-- Está bem! Entendi!

-- Então, vamos fechar o perguntador e vamos fazer uma coisa muito gostosa! Está bem?

-- Hahahahahahahahahahaha! Está bem?

-- De que você está rindo, menina?

--Hahahahahahahaha! É que você disse para eu fechar o perguntador mas, preciso fazer outra pergunta? Hahahahahahahah!

-- E o que é, dessa vez?

-- Que coisa gostosa é essa de que você falou? O que vamos fazer?

-- Ah! Sua danadinha! É que aqui na cidade tem várias fábricas de sorvete e acho que está na hora de você ir conhecer uma delas e tomar sorvete até cansar! O que você acha disso?

-- Obaaaaaaa! Legal! Então vamos, vô!

Na expectativa de um belo sorvete, deixamos nosso banco para trás e, após curta caminhada, de mãos dadas e tagarelando amenidades, estávamos diante de um balcão enorme repleto de delícias geladas! Era sorvete para ninguém botar defeito! Sorveteria “Quatro Leites”!

Júlia arregalou os olhinhos e dava pulinhos de alegria, batendo palmas. Dentro do balcão envidraçado, potes coloridos, contendo sorvetes de massa, dos mais variados sabores. O sorveteiro foi logo perguntando:

-- Vocês vão querer sorvete de pote ou casquinhas de biscoito? Podem fazer a combinação de sabores que desejarem! Cada sabor, uma bola! Depois, podem se servir à vontade das coberturas que estão à disposição lá naquele outro balcão!

-- Quando olhamos as coberturas, mais aguçada ficou a vontade de mergulhar naquela gostosura... Calda de caramelo, de morango, de anis, de cereja, etc... etc... Castanha, amendoim, nozes e outras delícias picadas e torradinhas. Além disso, chantilly, confetes e granulado de chocolate. Mais adiante, palitos de biscoito e outras guloseimas chamativas...

-- Escolhi uma combinação de sorvetes com sabores de jaca e ameixa e Júlia, de fruta de conde e creme, com passas... Ficamos um tempão na sorveteria, vendo os carros passarem na avenida e repetimos, duas vezes a tentação gelada...

-- Vô! Estou com pena da vó! Ela não vai tomar sorvete conosco!

-- É! Eu também! Mas, acontece que ela está trabalhando e seu horário na escola vai até as dezoito horas! Outro dia ela virá, com certeza! Também é danada por uma comidinha gostosa!

-- Depois da farra na sorveteria, Júlia limpou a boca no guardanapos e disse que precisava voltar para sua casa. Assim, deu-me um abraço carinhoso e disse que logo voltaríamos a nos encontrar.

-- Baixinho, sussurramos, juntos, as palavras mágicas e sem que ninguém visse, Júlia deu lugar a uma abelhinha esvoaçante que, antes de desaparecer, deu uma lambida em um pote de calda de caramelo, fez duas circunvoluções ao redor da minha cabeça e desapareceu na direção do Rio de Janeiro...

Na manhã seguinte, acordei renovado, feliz da vida e fui tratar de tomar um belo banho de chuveiro...

Num dos livros da “Enciclopédia Barsa”, lá estava a foto da famosa pintura de Michelangelo, na cúpula da Capela Sistina: Deus, com Suas longas barbas brancas, estendendo a mão para Adão...

Amelius
Enviado por Amelius em 09/06/2013
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