PAIXÃO
Numa cidade do interior, havia um comerciante casado que se apaixonou pela sua funcionária.
Com receio de sua esposa tomar conhecimento do fato, o homem, metido a honrado, pôs um pouco de ‘água no fogo’.
A moça ficou indócil, telefonando daqui e dali, atrás da sua grande paixão.
Com poucas linhas de telefone na pequena cidade, o assunto do momento chegou aos ouvidos de dona Maria do Céu.
Magnólia, uma adolescente humilde e muito preocupada com os seus semelhantes, entrou apavorada na casa de sua madrinha.
-Dindinha, a senhora não imagina o que acabei de ver, agorinha mermo!
-O que foi, Mag?
-A Doroteia estava sentada do ladim da dona Maria do Céu, na missa das dez horas.
-E daí, menina?
-Quando o padre disse ‘vão em paz’, o pessoal saiu da igreja dipressa e ficou em volta das duas, esperando o disfecho final. E eu tamém.
-Prossiga.
-Calma, dindinha. Olha como eu tô tremeno.
-Isto não é novidade. Você treme por tudo e por nada.
-Aí, a dona Maria do Céu chegou bem pertim da Doró, olhou dentro do zói dela e segurou os seus cutuvelo.
-Desembucha logo, Mag! Esta história está me dando nos nervos!
-Ela disse assim pra Doró: você dismoronhô o meu lar.