HAVIA UMA FILHA NO MEU CAMINHO...

Apareceu do nada. Era uma quinta-feira chuvosa. Abri a porta e ela despejou na minha cara:

_Meu nome é Rita, sou sua filha, amanhã faço aniversário, 21 anos...

Fiquei confuso, não pude acreditar. Sim, tive um relacionamento com sua mãe nos anos 80...

O que significava minha vida? Separado por duas vezes, um filho que vive há anos com a mãe em Munique, um contrato como guitarrista em uma banda que sairia para turnê na próxima semana.

Fizemos exame de DNA. Dez dias depois estávamos os dois no 20º andar, esperando o envelope amarelo no guichê do laboratório.

Rita então puxou um cigarro da bolsa, reparei em seu dedo mindinho torto, igual ao meu. Usava um par de brincos feitos de palhetas com motivos tribais.

Peguei o envelope, fomos até a sacada. Rasguei-o em mil pedaços, sem abri-lo. Abraçamos-nos longa e chorosamente.

_Seja bem-vinda, minha filha!

Que presente melhor a vida poderia me dar neste momento?

São Paulo, 02/07/09