"O RETORNO DA ANDORINHA" Conto de: Flávio Cavalcante
O RETORNO DA ANDORINHA
Conto de:
Flávio Cavalcante
Era uma vez uma menina chamada Rosa, que tinha uma andorinha de estimação. Pequena e frágil, a ave era um presente de seu avô, que lhe contava histórias sobre as andorinhas que traziam a primavera e anunciavam o calor dos dias bonitos.
Rosa cuidava da andorinha com todo carinho. Todos os dias, ela abria a pequena gaiola, acariciava as penas negras da ave e conversava com ela como se fosse sua amiga mais próxima. A andorinha piava baixinho, e Rosa sentia que, de algum modo, a ave entendia cada palavra do que estava falando.
Uma tarde, porém, enquanto limpava a gaiola, um acidente aconteceu. A estrutura velha e frágil cedeu, e antes que Rosa pudesse reagir, a andorinha deu um impulso e voou para longe. Rosa correu até a porta de casa, com lágrimas nos olhos, vendo sua pequena amiga se afastar no céu.
A tristeza tomou conta de seu coração. Os dias seguintes foram difíceis. Rosa sentia falta do pio suave, do bater das asas dentro de casa. Ela se perguntava se a andorinha estava bem, se tinha encontrado comida e um abrigo seguro. A saudade apertava tanto que Rosa passou a ficar doente, sentindo uma falta que nem ela sabia expressar.
Meses se passaram, e o inverno chegou com seus ventos frios. Rosa se conformou com a ausência, mas, em seu coração, um pedacinho dela ainda esperava que a andorinha voltasse.
Finalmente, a primavera chegou. Um dia, Rosa estava no quintal quando viu algo que a fez prender a respiração. Lá no céu, um bando de andorinhas voava em formação, rodopiando em círculos como se dançassem. Entre elas, Rosa reconheceu sua andorinha! Ela estava de volta, voando alegre ao lado das outras, como se trouxesse o calor e as cores que Rosa tanto sentia falta.
Rosa sentiu as lágrimas rolarem, mas dessa vez não eram de tristeza. Sua andorinha estava feliz e livre, e ela estava de volta, acompanhada de muitas amigas. Aquela visão encheu o coração de Rosa de uma alegria serena, e ela compreendeu que o amor não precisa de gaiolas para ser eterno.
Flávio Cavalcante