Alma em brisa de arco-íris... BVIW
A tarde estava abafada e a chuva bem-vinda desaguou, durante uns 15 minutos, qual um sonoro e indomável véu a envolver a paisagem. Enquanto Jeremias a observava da janela entreaberta, logo após sua pausa, viu surgir um lindo arco-íris.
Há anos, a olaria estava ausente de atividades, entretanto, alguns dias da semana ele passava algumas horas com ela, parecia um último soldado reticente em abandonar seu posto... A profissão de Oleiro aprendeu com o pai e o avô... De certa forma, sentia-se parte de cada vaso, cada telha, alguns deles quebrados ou trincados, como as linhas do seu antigo rosto. As silentes cerâmicas que ainda sobreviviam, orgulhosas, nas empoeiradas prateleiras lhe faziam companhia.
Assim como o barro na mão do oleiro, aos poucos vai sendo moldado para dar forma a novos objetos... Ele sentou-se em sua cadeira de palha, sentindo a presença de divinas mãos úmidas de luz moldando sua vida e alma em gotas daquele arco-íris e juntos desapareceram...
. Conto - Tema: Uma expressão, um substantivo composto e uma profissão