Era uma tarde maravilhosa, quando Luiza sentou-se para admirar o pôr-do-sol, um de seus momentos preferidos. Naquela hora  podia até enxergar Deus sentado, com suas tintas e pincéis, fazendo um quadro magnifico ao fechar aquele dia.

A avó passava com sua neta autista. A menina ria alto de tudo, dando comida aos patinhos, numa ingenuidade comovente. Aquela cena parecia um filme, e casava tão bem com aquele pôr-do-sol. Como se fosse um plano de Deus colocá-la na paisagem de Luiza, para uma reflexão momentânea.

De repente ouviu  a musiquinha do carro de sorvete, e dirigiu-se
à janela a tempo de ver as crianças correndo com suas moedinhas na mão. Aquele era um cenário tão próprio do verão! Olhar a felicidade em seus rostinhos corados  lambendo aquelas bolas coloridas  nao tinha preço. 

Foi para a cozinha pensando em fazer um café. Afinal, tem gente que acha que não dorme se toma café a noite. Para Luiza, aquilo era ficção, isso que dava um conforto na alma.
 

Voltou para sua área  quando quase anoitecia e havia ainda cores lindas no céu para ela  admirar. Com certeza, Deus sabia que ela voltaria. Suspirou.

Ele acabara de traçar o caminho de seu dia, e tudo que ela pensava agora era mergulhar na beleza daquele momento.

Sorriu interiormente -  numa cumplicidade celestial -  sabendo que Ele estava sempre tentando dirigir seus olhos para o momento único da estrada.

 

 

 

Mary Fioratti
Enviado por Mary Fioratti em 12/07/2022
Código do texto: T7558015
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