A escada de Jacó
Juliana vestida de camisa branca e saia rosa passou em frente minha casa ao lado de Célia e outra dona que mal conheço. Estavam indo rumo a igreja evangélica que fica perto da igreja católica Nossa Senhora de Fátima. Em seguida surgiram duas freiras idosas e de sorrisos jovem. Do meu portão donde gosto de ficar às vezes vejo pessoas estranhamente felizes por serem o que são e fazerem o que fazem. Lá embaixo no começo da rua, numa esquina curva, surgiu uma mulher negra e gorda vestida de branco, saia de baiana e colares no pescoço. Seu turbante branco deixou-me bem claro sua religião. Vi também que alguns jovens com a bíblia nas mãos caminhavam perto dela, e pareciam contentes pela maneira de falar, sorrir, gesticular... Abraçavam-se, beijavam-se, sorriam-se.
_Na paz do senhor, Paulinho, disse-me o Preto, um menino branco que deixou de usar drogas pra louvar a Jesus.
_Beleza mano, respondo com um sorriso tímido.
A baiana para no meio do caminho e olhando para trás respira fundo. Outra baiana, mulher branca, junta-se à ela, e ambas batem os ombros, gesto comum na religião espiritualista. Elas sorriem e ao passarem por mim dão-me uns bons dias sorridentes e seguem pela rua na mesma direção das igrejas deixando atrás de si um rastro de pétalas brancas de rosas.
Quando elas desaparecem na outra curva eu entro em casa e choro.