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Ele ia diariamente ao bar do Zé Luiz, amigo das cartas e da cachacinha de todo dia. Já estava aposentado da siderúrgica mas fazia uns bicos na pintura. Certa vez Zé Luiz lhe arrumou um biscate. Pintar uma sala vizinha ao bar, onde o corretor, cliente do boteco, disse que se instalaria um tipo de salão de beleza.
Seu Jorge aceitou o serviço. A dona do estabelecimento era uma mulher esguia, salto alto, cabelo alisado num tom acaju, brincos de pena colorida e na boca carnuda, um batom rosa shock.
A mulher negociou com destreza, pediu desconto e disse que era para conhecer seus serviços, pois outros poderiam aparecer. Jorge ficou meio acanhado e tirou cem reais do preço.
A cliente era do tipo falante, alta mas tinha ancas largas e fumava um cigarro longo enquanto escolhia numa palheta, os tons para cada parede.
Combinaram começar num sábado de manhã bem cedo.
Joana chegou trazendo três cascos de cerveja.
- Jorge, fique a vontade que vou ali no Zé Luiz buscar umas Brahmas pra nós.
Jorge arqueou as sombrancelhas, pegou uma lixa e começou desconfiado o seu serviço.
A mulher chegou cantando um pagode. Encheu dois copos e ordenou:
- Cê toma uma comigo!
O pintor ficou sem graça mas aceitou um gole. E no final do dia, pareciam até que eram velhos amigos. Ela contava os casos da época que trabalhava em outra atividade e ele sem saber o que fazer, contava sua lista manjada de piadas que era o que fazia quando começava a beber.
No dia seguinte combinaram de voltar à sala. Ele precisava retocar a pintura, remover os jornais espalhados pelo cômodo e limpar os respingos de tinta no chão.
Joana chegou com um vestido um tanto curto... Parecia até uma gazela naqueles saltos altos.
O homem sentiu um comichão e quando ela falava com certa intimidade "oh Jorge!" ele até se estremecia.
Para sua surpresa, a mulher trouxe uma cachaça, segundo ela, para a "coisa acontecer".
Já passava das dez horas e seu Jorge finalizou o serviço de retoque. Desceu da escada metálica e foi ao banheiro. Ao sair deu com Joana sentada num dos degraus. A mulher lhe ofereceu uma cachacinha e enquanto ele sorvia o líquido, ela ficou alí, bem na sua frente, em trajes íntimos.
- Meu Deus! O que eu vou fazer? Esse mulherão na minha frente... Eu não queria beber!
Joana passou a mão pelos cabelos esbranquiçados daquele senhor. Sorriu de um jeito atraente e perguntou o que ele achava da langerie dela.
Não preciso contar o que sucedeu, mas o fato é que ele nunca tinha visto trajes tão ínfimos e tão perfumados que até embrulhou-lhe o estômago.
O homem ficou sem entender o que tinha acontecido. A mulher era um furacão e ainda o chamava de "meu garanhão".
O serviço ficou por terminar. Joana disse que ela mesmo poderia  fazer a limpeza na próxima semana quando chegaria o mobiliário para o tal "salão de beleza".
Jorge ficou sem saber se cobrava o pagamento. Foi aí que a mulher lhe deu um longo beijo e agradeceu a sua disponibilidade. Abriu a porta e disse num tom meio sensual:
- Volte outra vez Jorge! Prometo servir uma cachaça de melhor qualidade!
Jorge chegou na calçada até meio tonto. Entrou no bar e gritou para o dono do bar:
- Caramba Zé Luiz! Amigo da onça que você é!
Levei um cano que nunca, nunca  mais na minha vida eu vou esquecer!
Pediu uma "mardita" das boas, tomou o aperitivo de uma só vez e saiu do bar calado.
Zé Luiz ficou só olhando, sem nada entender!
Cláudia Machado
Enviado por Cláudia Machado em 15/11/2019
Reeditado em 27/11/2019
Código do texto: T6795588
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Cláudia Machado
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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