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CBH - MISCELÂNIA


 
RECORTE de 1989 - "Que rei sou eu?"  (resumo)  -  Dias após a agitada finalíssima do II Festival de Música Popular Brasileira, 1966, TV Record, o jornal "Correio da Manhã" publicava crônica assinada pelo poeta CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:  "A felicidade geral com que foi recebida a passagem dessa banda tão simples, tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, que um rapaz de pouco mais de vinte anos botou na rua, alvoroçando novos e velhos, dá bem a ideia de como andávamos precisando de amor."  /Para quem não sabia até hoje:  o governo Médici utilizou "A banda" em campanha de alistamento militar./  A banda era a da música que dividiu o primeiro prêmio com "Disparada", de GERALDO VANDRÉ, o o jovem rapaz era CHICO BUARQUE DE HOLANDA, a caminho de se tornar o que MILLÕR FERNANDES chamaria de "a única unanimidade nacional".  A crônica de CDA acabaria reproduzida na contracapa do primeiro songbook de Chico, dezembro/66 - a edição contava com 18 letras manuscritas, partituras e o conto "Ulisses", mito do viajante que 'esquece' o caminho de volta ao lar, publicado no suplemento literário do jornal "O Estado de São Paulo".  Vinte anos depois, relançamento em grande estilo no novo álbum, "Chico Buarque", letra e música com cerca de 300 letras, inclusive as do novo disco, abrangendo quase toda a obra do compositor.  Não mais necessário o 'empurrão' de Drummond...  Amado ou odiado pela crítica na época, a consagração em livro lançou uma inquietante questão:  afinal, qual o lugar de CHICO BUARQUE na cultura nacional?  As várias etapas de sua história musical assumiram faces bem diferenciadas, o moço de olhos verdes que fazia a plateia feminina suspirar ao refrão de "Olé olá";  o porta-voz da consciência crítica nacional inaugurou a década de 70 ao som de "Apesar de você", hino de resistência, franco desafio;  entrando anos 80, o estigma peculiar de cantor da malandragem...  Que novos personagens agora?  Compositor, dramaturgo e ficcionista derrubando barreira de gêneros e formas, sob o signo de poeta.  (...)  "Passadista" desde os embates com os tropicalistas, em 1967?  Culminou no mal-entendido "Sabiá", parceria com JOBIM, primeiro prêmio do II Festival, sob ruidosas vaias no Maracanãzinho, renovada canção do exílio feita a partir da própria terra - sede revolucionária chocante em "Caminhando'", novamente GERALDO VANDRÉ, que terminou em segundo lugar.  Querer "deitar à sombra de uma palmeira que já não há / colher a flor que já não dá" - aos olhos da crítica, nostalgia de um paraíso perdido em meio aos avanços do progresso.  CAETANO resumiu a polêmica:  "Nós queríamos também uma coisa que fosse, de algum modo, feia, enquanto o Chico permanecia realizando só o que era bonito."  A canção "Bom tempo", segundo lugar na Bienal do Samba, junho/68, tachada de 'alienada', desvinculada da realidade nacional - reação dele no jornal "Última hora":  "Nem toda loucura é genial nem toda lucidez é velha.  (...) foi com o samba que JOÃO GILBERTO rompeu as estruturas da nossa canção."  Em 80, na revista "Código", de Salvador, CAETANO reconsiderou opinião sobre CBH:  "Ele anda pra frente arrastando a tradição, e isso é bem do signo dele, gêmeos."  Relações pouco pacíficas entre CHICO e a crítica, censurado quando deixou o país para exilar-se na Itália, em 69, por ter 'abandonado' (?) o país, condenado pelo regresso em 70, como se isto significasse aceitar o jogo da ditadura - ele desabafou:  "A crítica é superficial  (...) é preguiçosa, quando não desonesta."  De fato, até 78 foi o artista mais visado pela censura, só uma música liberada em cada três.  Como driblar a censura?  Cena tétrica, show "Phono 73", microfones desligados para CHICO  GIL apenas cantarolassem a melodia de "Cálice", letra censurada.  No livro "Gol de Letras", de HUMBERTO WERNECK:  bateria de conversas com CBH, bem humorado. grande seriedade profissional, zero estrelismo, e entrevistas com mais de 50 pessoas ligadas ao compositor.  No capítulo inicial, "Agora eu sou o herói!" - anos de formação, pré-história musical, noitadas de "forrobodó etílico-musical, nos porões da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP;  segunda parte, "Na vertigem da Roda Viva", início do sucesso até o AI-5;  terceiro capítulo, "Errol Flyn a contragosto", início do exílio até 75;  final, "Entre inferno e paraíso", recentes produções.
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RECORTE de 2007 - "O meu pai era paulista........."  -  Numa publicação indeterminada, 3 fotos atemporais  (antigonas pelos trajes...) de 3 menininhos:  o historiador SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, o senador (?) CRISTOVAM BUARQUE e o ex-chanceler LUÍS FELIPE LAMPREIA - parentes...  É o que revela o livro indiscreto "Buarque, uma família brasileira", do economista BARTOLOMEU BUARQUE DE HOLANDA, primo "dele", sobre origem da família.  Como o sobrenome já entrega, descendem de um holandês, o capitão GASPAR NIEUHOFF VAN DER LE.
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RECORTE de 2014  -  Livro que é declaração de paixão, "Eu te amo, Chico" de NILZA REZENDE, mistura da obra do artista e relatos pessoais, aos 70 anos do artista.  Por que CHICO é tão apaixonante?  "Pouco dizer fascinação pela beleza, e sim a delicadeza toda, a versatilidade da obra.  Persona mito que joga com a sedução, a palavra, mistura inteligências;  não é tagarela, mantém o mistério, se retira e tem alegria de viver.  Anda na praia, vai para Paris...  (...)  Deuses não envelhecem.  Todo homem brasileiro tem ciúme do CHICO BUARQUE, ninguém (maridos e namorados) indiferente."
 
                                          F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 03/11/2019
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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