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UM POUCO DE JAPÃO - PARTE VII


 
Diplomatas salvaram judeus dos nazistas.  Fotos antigas contam a estória de CHIUNE SUGIHARA, diplomata japonês na Lituânia que salvou milhares de judeus da perseguição nazista no início da II GM:  o Holocausto no total matou mais de 6 milhões de judeus.  Relatos no diário de TATSUO OSAKO, funcionário do escritório de turismo (sob bombas?!) do Japão, na época do conflito, e fotos dos refugiados.  Corajosos SUGIHARA e OSAKO!  Sim, o "Schindle japonês",  alusão OSKAR SCHINDLER, industrial alemão que salvou quase 1,2 mil pessoas  do extermínio, empregando-as como trabalhadores forçados em suas fábricas na Polônia e na Tchecoslováquia;  só que os japoneses salvaram mais de 6.000, emitindo vistos que permitiram aos judeus saírem da Europa antes de serem capturados.  Junto com o cônsul holandês da Lituânia, SUGIHARA deu vistos de viagem até ser expulso do país em 1940, quando a Rússia anexou a Lituânia,  e - não deve ser lenda -, trem deixando a estação e ele ainda passando para os refugiados documentos em branco - estória contada no curta-metragem "Visas and virtue" (Vistos e virtude), vencedor do Oscar da categoria em 1997.  As 30 fotos, muitas com dedicatórias de agradecimento a OSAKO (há uma foto ao lado de uma jovem judia sorridente que ele ajudou a salvar a bordo de um navio), foram repassadas por AKIRA KITADE, ex-colega de trabalho, para o Museu de Memória do Holocausto dos States, em Washington.  Foi há 50 anos porém especialistas americanos e israelenses tentam localizar alguns destes sobreviventes ou descendentes.  OSAKO, há apenas dois anos no emprego, era o responsável por recolher os judeus nos barcos que os levariam ao arquipélago japonês, desembarcariam nos portos de Kobe e Yokohama para depois seguirem viagem para outros países.  Em 1940, o escritório de turismo concordou em ajudar judeus americanos e distribuir dinheiro aos refugiados europeus, decisão do Ministério do Exterior japonês, apesar da forte ligação entre os governos da Alemanha e do Japão, na época.  Várias pessoas trabalharam à sombra de SUGIHARA, ajudando.  Os idiomas nas fotos refletem o avanço nazista na Europa:  alemão, polonês, norueguês e francês.  Historiadores perguntam o porquê do Japão permitir aos judeus passarem pelo seu país na fuga da Europa ou se estabelecerem na Machúria - seriam razões humanitárias ou o Japão buscava cidadãos educados para ocupar seus territórios recém-ocupados ou obter favores dos Estados Unidos antes dos dois países entrarem na guerra também?...  Em 1938, aumentada a perseguição alemão aos judeus o governo japonês emitiu comunicado informando que trataria os refugiados humanitariamente.  Ao mesmo tempo, o Japão massacrava e escravizava milhares de pessoas por toda a Ásia - líderes japoneses 'desculparam-se' seguidamente no pós-guerra.  MIE KUNIMOTO, filha de OSAKO, que morreu em 2003, surpreendeu-se com as fotos dada a seu pai, tipo de pessoa que nunca falava sobre o passado, não conversava sobre suas experiências durante a guerra. embora tenha feito em 1995 um breve relato para publicação:  "Os judeus que vi naquela época não tinham passaporte nem pátria.  Eram refugiados que saíram da Europa e geralmente estavam tristes, alguns com olhos vazios que refletiam a solidão das pessoas no exílio."
 
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FONTE:
 
"Schindlers japoneses" - Rio, jornal O GLOBO, 23/10/10.
 
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Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 18/08/2019
Código do texto: T6722985
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves