Rosas Brancas

Sentado na calçada, olhei para o lado,

E os dias estavam cinza, como os meus olhos,

Que procuram tua sombra, teu perfume, teu odor,

Mas o dia está seco, aos meus olhos, aos meus sentidos.

O vento desponta em fracos e densos sopros sem intensidade

Assim como meu vento interno, meu sentir.

Sentado esperando que algo evolua em mim, a perda,

Tirou-me dos trilhos, descarrilei meu coração, ruiu meu senso.

O amor foi sugado pelas terras da solidão, e esvaziou meu dique,

As nuvens das esperanças, não se formam carregadas, mas vazias,

Estão cinza de tristeza, que tornam meus dias fechados e cansativos.

É na espera, sentado e sem direção, aguardo na fraqueza de não seguir enfrente.

Meu corpo desfalece na pressão interna dos membros, uma balança, um pesar,

Minhas pálpebras pesadas querem fechar e não abrirem mais para este mundo,

E sim começar novamente em outro, talvez mais diferente que este, mundo,

E é assim que perco mais minha vontade de estar na espera, à fila está enorme.

Sentado e ultimo na fila, aguardo minha vez de entrar no colapso, do ser,

O incenso é de perfume, mas não distrai o que há para acontecer,

Sinto sede, a mesma que na vida tentei saciá-la, e me afoguei nela,

Vejo na calmaria das flâmulas brancas, paradas no ar, que me arremessam.

Para lugares que não quero estar, que sempre em minha vida controlei,

Nem na fuga me dei bem, e sim no esquecimento, mas na mente sempre esteve,

Um karma que carrego por milhões de anos, esta virando minha própria carga,

Que através dos tempos só mudam de mão, de costa, de forcas, de meios.

Está quase na minha vez, nesta fila que caminha lentamente,

Como os pensamentos fossem os juízos, sentimento os julga,

As fraquezas o pecado, que mostram das forças as fraquezas, o descanso,

Desistir de caminhar novamente.

Vejo um caminho á minha frente, rosas brancas no chão, rasteiras, não há folhas,

Os espinhos são maiores que os botões, suas pétalas estão sangrando mel,

É nelas que está os incensos, o perfume de castas e folhas esverdeadas no chão,

As gramas estão cinza, queimadas pelo sol que existiram outros dias.

E não restauram mais suas gestações, épocas, estações do tempo,

Mas as rosas continuam, parecem ser regadas com a água límpida do perdão,

Lágrimas e suor de reflexão divina, as rosas forram todo o campo infinito,

Ao redor do redor, na circunferência de toda a vida, que não sinto mais.

Não há cercas no intimo dos seres que estão na fila, logo sou o que sou,

As mesmas cercas que separam o amor do lado inseguro de viver, aonde,

O ser prende e segura mais que pode para que esse sentimento possa fluir,

Sem ser devorado por outro ser na terra.

Até aonde seus olhos chegam, vejo uma camponesa bem longe no centro,

Do roseiral não consigo entender, uma camponesa no meio dos espinhos,

O que ela faz não há como sentir, apenas olho e penso que seus pés estão em,

Chagas, cortados pelos espinhos do roseiral, ela continua abaixada sobre este jardim.

Quando passa por mim um homem com chapéu marrom, sorrindo,

Pára em minha frente, seu sorriso é um apertar as mãos, e fazer um convite,

Minha alma ficou leve e meus olhos voltaram a abrir, como se estivesse chegado,

Minha espera ao fim, como se existisse nova vida no meu coração , no meu sentir.

Tudo se renovara, não estava mais na espera, mas em um caminho,

Seguir sem medo e sem insegurança, mas havia algo no seu sorriso, de puxar todos os.

Braços e almas para ele, aonde o conhecimento era diferente do professor.

Não consegui levantar para acompanhá-lo, minha força estava somente na mente,

E meu coração não obedecia ao que minha razão queria ser, pois o saber era diferente,

Da razão, da essência, fiquei sentado, aguardando minha vez.

Logo o homem parou de sorrir e levou poucos com ele, muitos continuaram na fila.

Quando percebi senti em minha frente mãos calejadas, cicatrizes nas palmas das mãos.

O perfume do mesmo incenso, um odor adocicado como o mel, e sua roupa azul e branca.

Levantando minha cabeça podia ver aquela mulher com olhos castanhos claros,

Sorriso levemente no rosto me fazia um convite para ir com ela, sem abrir sua boca.

Sua sobrancelha grossa sob seus olhos castanhos claros sentia-me amparado na energia,

Uma energia branda e intensa, calma e sobressaltada, mas um sentimento maior que,

Conhecemos o amor, maior que este, me senti abraçado por aquela mulher jovem, mas com.

Toda sabedoria, não era um anjo, e sim uma mulher, que parecia minha mãe, me ninava.

Senti-me em seus braços, sendo acariciado e amado como seu filho, ela me ninava-me.

Beijava com seus olhares, me abraçava com seu sorriso, e sua respiração fazia-me,

Voltar a respirar novamente, em seus braços senti-me, em suas carícias me tornei ser,

Novamente, e minha espera ficou na esfera do passado, e chorei.

Aquela mulher enxugou minhas lágrimas, com seus cabelos negros, perfumados e.

Sedosos, havia um diadema em sua cabeça, eram rosinhas brancas, sem espinhos,

As pétalas eram perfeitas e arredondadas, seu perfume não vinha das rosinhas,

Mas das cicatrizes das suas mãos, dos seus pés, que estavam abertas ainda.

Sem obrigar-me a ir com aquela mulher, levantei, ficando em pé, senti um recomeço,

Senti não haver mais filas, descalço na areia fina, macia e branca,

Senti minha alma em evolução, mas um sentimento maior que eu,

Maior que o amor.

Quando percebi estava caminhando com ela até o seu roseiral, sem medo de caminhar sobre,

Os espinhos, mas antes de entrar, aquela mulher me ensinou a confiar em mim, nos espinhos,

Nas rosas e no mel.

Colocando meu primeiro passo no roseiral, senti uma espetada no meu pé, não muito profundo,

Mas nos próximos passos, as dores eram profundas e doídas, como se abertas portas em meu ser.

Cada espinho entrando em meus pés fluía um sentimento sendo sugado do meu ser, flagelando,

Meu sentido, um sofrimento profundo se apossava do meu coração, meus sentimentos aflorados,

As feridas que não estavam cicatrizadas, outras que estavam sendo abertas, sangravam,

Fatos que iriam acontecer, me sentindo muito fraco para um novo passo adiante.

Parei...

Parado e as dores profundas como flechas no meu coração, em minha razão, em meu ser,

Olhei para trás nas minhas pegadas não havia rastros de sangue, apenas espinhos amassados,

Rosas brancas murchas, pisoteadas, sangrando o suave mel.

Olhando os meus pés continuavam sangrando, como um chafariz, a terra sugava com sua fome.

Não queria seguir, estava cansado de tanto sofrer as dores dos espinhos do meu ser, fiquei parado,

A mulher distanciava de mim, prostrou-se a me olhar, chamando-me, a continuar, sem medo,

Mas não conseguia um passo a mais, o sofrimento era insuportável, era escravizante e sem dó,

Ela sorriu, com suas mãos indicava-me a ir com ela, até o centro do roseiral.

Busquei no meu interior, todas as forças imagináveis guardadas ou não,

Toda a mutilação do espírito, das dores, as cargas que me assombravam a alma, os medos,

As tristezas, ainda uma força fez com que chegasse até ela, uma força que havia esquecido,

Minha felicidade acredita que sem ela não teria tido forças para seguir aquela mulher.

Caminhando com mais calma, e depois de um banho do sorriso daquela mulher, consegui perceber,

Que as dores existiam, mas não com tanta intensidade, como se os cortes fossem cicatrizando a cada.

Passo, e quando apoiado os pés nos espinhos ao chão, abriam novos cortes, dores diferentes,

E olhando para o chão, procurando espinhos menores, havia vários tamanhos.

Tentei desviar, mas não conseguindo, pisava em espinhos maiores, quanto maior o espinho, menor a dor.

Quanto menor o espinho, maior era a dor, uma dor sentida na alma, como se o espírito saísse do corpo.

Uma devastação da existência, separando a carne da pele, o ardor por toda a aura do corpo, a anestesia,

O arrancar dos ossos, e sem o casaco da terra sentir-se nu.

Sem frio, sem calor, simplesmente as dores que passavam, e levemente o vento corta um corpo sem,

Forma, uma sombra, um clisma, cristal com variados reflexos, e raios prateados.

Olhei para o centro do roseiral, aonde continuava os espinhos, e as rosas brancas,

A mulher á minha espera, aguardava serena e com paciência, a minha chegada,

Agora no centro do roseiral, percebo que no campo adiante as rosas eram maiores que os espinhos,

E elas exalavam o mesmo perfume adocicado do mel, e quando olhei para o meu ponto de partida,

Estranhei, pois estavam muito distantes de mim, como se ultrapassasse vários anos, vários dias.

A mulher me mostrou o caminho, á seguir, no roseiral aonde as rosas eram maiores que os espinhos.

Reclamei das dores em minhas feridas nos és, e nas pernas, ela agachou-se, e com suas mãos me,

Mostrava-me que meus pés estavam sem feridas, mas com pequenas cicatrizes, fechadas.

Realmente a dor havia passado e nem percebi, aliás, sentia-me muito bem, parece que nunca havia.

Sentido,

Nada, eu sabia como eram as dores, mas sentia que nada doía, estava em paz em meu coração e minha.

Consciência, a razão do ser humano.

Olhando para aquela mulher perguntei com meus olhos se ela me acompanharia, ela respondeu que sim,

Mas uma dúvida tomava conta do meu pensamento, foi quando ela respondeu...

- Descansavas sobre tua vida, não acreditava mais em ti...

-procuravas em teu coração, os mesmos perfumes da tua infância, odores da adolescência, uma direção, para seguir em teu caminho, e quando as respostas estão escondidas em tua consciência tudo perde a cor.

- Só lastimavas teus erros, mas teus acertos esquecestes.

- As pessoas na fila eram as mesmas que cruzaram o teu caminho, umas se foram e outras estão te aguardando.

- O homem de chapéu marrom, é a tentação, e tu reconheceste o bom caminho, mesmo com teu fardo pesado,

Escolhestes o caminho das areias suaves e brancas,

- Percebeste a minha dedicação com os seres da terra, da vida e da esperança.

- Confiaste em mim, por pouco tempo, por isso as dores tomaram conta do teu ser.

As dúvidas continuavam, e as respostas tampavam os buracos em meu coração, e forças eram.

Integradas,

No meu ser, estava em um posto de combustível enchendo o tanque, não há fim para encher meu.

Tanque,

Consciência.

- Estes são os sentimentos que há na terra, os espinhos, embora doam, são eles que fazem filtrar a.

Consciência,

Humana, e trazem para fora todas as existências na terra, é aonde o amor nasce e perpetua na reflexão do sentir.

- As rosas são as essências que há na terra, elas são espetadas e sangram, o mel a doçura e o perfume estão nas lágrimas de quem sente as dores das injustiças e das solidões, mas a doçura pode fechar as feridas deixadas,

Pelos espinhos.

- Espinhos grandes na qual tu evitaste são os teus desagrados e ofensas para aos que você ama na terra.

- Os espinhos menores e os mais doídos são as ofensas que tu recebeste na terra.

- Os caminhos que estão trancados para ti de aqui por diante, são assim com rosas brancas maiores que.

Os

Espinho deve acreditar mais em ti, pois se não acreditares os espinhos serão maiores que tua essência,

E sempre sangrarás, e quando sangrar a doçura da alma sairá e se perderá na terra que suga.

- Acredites em tua essência, e se puder ajude as outras essências, pois uns ajudarão aos outros, e os.

Espinhos existirão, mas as essências serão maiores e protegerão todos os sentimentos, fazendo com.

Que

Eles se tornem gramas no tempo.

Restabelecido no meu íntimo segui em frente sem que os espinhos espetassem meus pés,

Quando olhei para trás a mulher havia sumido...

CARLLUS ARCHELLAUS
Enviado por CARLLUS ARCHELLAUS em 19/02/2018
Reeditado em 21/12/2018
Código do texto: T6258383
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