Uma Rosa para Berlim - Verdades que esconderam 13.

Estou muito cansada de lutar. Exaustão é o que todas sentem. Pego no sono

e parece que não dormi nada pois, acordo de repente com barulho de granada. Pe

go minhas armas e saio correndo com o meu grupo. Muito tiro e explosões. Vejo

soldados mortos. Vejo Ertha cair machucada e gritar :

- Vão embora que fico por aqui!- E puxa de uma granada que estava com Gerda

Mende. Paro e vejo que o ferimento é só arranhões.

- Vou tirar você daqui! - Falo para ela verificando o ferimento.

- Vou morrer, vão embora!- Disse um SS que surge de um buraco - é minhas férias que chegou! Vá!

E um tiro quase me pega e o deixo ali. E rapidamente é cercado por russos rindo.

Não vêem a granada na mão dele. Sorriem pela última vêz. E o SS também. E tudo

explode. Não olhamos mais para trás. Meus olhos marejam e Lale chora.

- Isso poderá acontecer com todas nós! - Disse Gerda Maria muito séria.

E o lugar vira um inferno. Tiros para Todos os lados e mortes também. Fico atrás

de um tanque danificado e Marija fica comigo. Erna chega se rastejando e avisa

com gestos que está sem munição. Lili se aproxima e oferta um carregador de

STG 44 para ela e se junta ao grupo. Lale chega com Ina que está chorando.

A manhã do dia 25 se vai com uma resistência incrível de nossa tropa naque

le setor. Atiradores bem posicionados impedem os russos de avançarem. Chega

um grupamento da Volkssturm e começa a explodir tudo para criar obstáculos

para os invasores. Começamos a fazer o mesmo que eles. Mais tarde paramos

para comer uma ração militar. Como com muita vontade pois, estou cheia de fome

e de boca seca. Bebo água que encontro de um soldado morto. Pegamos as ra

ções e águas dos mortos e paramos para descansar. E a tarde vai como se esti

véssemos no inferno. E começamos a retornar mais para o centro de Berlim. De

pois, com o anoitecer do dia 25, rumamos um pouco para o sul. Lili chora de cansa

ço e paramos junto a um grupo de Volkssturm cansados e desiludidos com tudo.

- Não conseguiremos vencer! - Disse um veterano olhando para mim- soube que

estamos cercados e vão apertar o cerco a qualquer momento. Hitler ordena que

inundem o metrô e destrua tudo para impedir os vermelhos de se aproximarem

mais. Minha intuição fala que é o fim.

- Pode haver um milagre, uma ajuda...- Falo ficando pensativa.

E uma explosão nos pega em cheio e vejo parte de meu grupo morrer. Começo a

chorar e me aproximo do corpo de Gerda Maria que está inerte . Choro e a

toco carinhosamente. Gerda Mende se aproxima e me tira dali.

- Não há mais o que fazer, meninas! - Disse o veterano nos observando - fim!

Mais explosões e mais mortes. Tanto entre a Volkssturm quanto do meu grupo.

Saímos dali em meio a pessoas correndo para o centro de Berlim. Recuamos para

o norte de Berlim e logo encontramos um abrigo anti-aérea. Há muitas pessoas.

Idósos e mulheres. Crianças estão com os ouvidos tapados. Repartem entre eles

a pouca comida que possuem. Deitamos ali e parecem se sentirem mais seguros.

Tudo escuro e com pouca vela. O cansaço me vence e apago.