522-DANIEL E O DRAGÃO DA BABILÔNIA - Conto Bíblico

DANIEL E O DRAGÃO DA BABILÔNIA

Uma história onde um personagem a Bíblia torna-se herói do conto das

Mil e Uma Noites e é compilada nas Milistórias.

História da Série “Daniel na Babilônia”. 8a. parte da série de 10 =

Contos da série: 101 – A Babel da Torre

485 - Daniel na Babilônia

487 – O sonho de Nabucodonosor

489 – A Estátua de Ouro de Nabucodonosor

492 – O Festim de Baltazar

520 – Daniel e o Julgamento de Susana

521 – Daniel Desmistifica Baal

Xerazade retomou a narrativa do conto iniciado na noite anterior, mais uma das centenas de noites nas quais ela vinha entretendo o Rei Xariar. Ela interrompera quando notou que o rei adormecera, no meio da narrativa. Esta era a sua intenção, quando se propusera a casar com o rei e colocara em ação o mirabolante plano: cada noite uma história interrompida, era retomada na noite seguinte. O rei, fascinado pelas aventuras de heróis invencíveis, relatos de paises lendários e animais mitológicos, ia protelando a sentença de morte que pairava sobre Xerazade.

=O dragão era adorado pelos habitantes da Babilônia e tornou-se...= começou a linda rainha.

=Espera, espera. = Interrompeu Xariar = Conta o início desta história, pois ontem dormi logo que você começou a contá-la.

A gentil contadora de histórias, que queria justamente prolongar cada vez mais as narrativas, recomeçou:

=Daniel era um homem sábio e ao mesmo tempo muito prático ao tratar das coisas do reino da Babilônia, e por isso fora nomeado, por Nabucodonosor, o governador geral das províncias. Ciro, o rei da Pérsia que conquistara a Babilônia, vencendo Nabucodonosor, conservou Daniel no elevado cargo.

Daniel mantinha viva a fé no Deus de Javé, e era o líder de toda a comunidade dos judeus que viviam exilados na cidade da Babilônia. Ciro, o novo rei da Babilônia, apesar da confiança depositada em Daniel, frequentemente discutia com ele sobre a questão religiosa.

Existia em Babel, naqueles tempos, um enorme dragão, que vivia no interior de uma muralha circular, e que passou a ser adorado pelos Babilônios, depois que Daniel havia desmistificado o culto ao deus Baal. *

Um dia, o rei perguntou a Daniel:

=Agora não podes negar que este é um deus vivo e imortal. Vem comigo e traga todo seu povo para adorá-lo. Hei de conceder benesses e vantagens a todos os judeus que prestarem culto ao dragão.

Daniel, impávido, contestou o rei:

=Eu e meu povo adoramos o Senhor nosso Deus porque ele é um Deus vivo e imortal. Este dragão, que é vivo, pois deita fogo pelas ventas e urros pela boca, não é imortal.

=Como podes dizer isto? = indagou o rei. = Haverás de dar-me provas do que dizes, ou perecerás pela insolência.

=Eu vos garanto que, com a vossa permissão, matarei este dragão.

=Sim, poderás tentar. Mas com a condição de que não usarás nem espada nem lança, nem qualquer arma.

O lider dos judeus aceitou o desafio. E no dia, marcado com antecedência, estando o imenso campo defronte a morada do dragão tomado pela multidão de judeus, babilônios e toda a corte do rei Ciro, apresentou-se Daniel.

Sábio e prático ao mesmo tempo, chegou preparado: seus amigos traziam um grande cesto dentro do qual estavam algumas bolas. Daniel havia preparado verdadeiras iscas mortais para o dragão: misturara o betume, que era abundante na região, com pelos de camelo e gordura, formando bolas apropriadas para que o dragão as engolisse.

O dragão, ao ver rolar perto de si as bolas, cheirou-as e as engoliu de imediato. Ora, tão logo as bolas entraram por sua goela, se incendiaram pelo próprio fogo que o dragão expelia de sua bocarra.

As chamas expelidas mudaram de cor: de um amarelo alaranjado, passaram a vermelhas e cor de cobre. Da mesma forma, a fumaça que saiam das grandes ventas, antes claras, passaram a ser pretas. Era o betume em fogo no bucho do dragão.

A enorme besta dava urros e batia com sua cauda no solo, como um chicote. E, subitamente, ouviu-se um terrível estrondo.

=BAAAAMMMMM!

O dragão explodiu! Destroços do bicho voaram por todos os lados, atingindo alguns dos assistentes. Apenas a cauda permaneceu, inerte, no chão da prisão do dragão.

Daniel, com naturalidade, sem mostrar vaidade, gritou simplesmente para a turba dos babilônios:

=Eis deus que vocês adoravam!

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Xariar, deitado sobre macias almofadas, estava adormecido. Xerazade deitou-se ao seu lado e aconchegou-se em seus braços.

Eis que mais uma noite se passou. Amanhã, irá me pedir outra história, e depois, mais outra e outra. Até o dia em que ele se esquecerá da pena de morte que me impôs.

Assim pensando, entrou ela adormeceu, e em seu sono era povoado de sonhos que constituiriam outras tantas histórias maravilhosa a serem narradas ao seu amado esposo, o rei Xariar.

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* Veja o conto desta Serie “Daniel Desmistifica Baal”

ANTONIO GOBBO

Belo Horizonte, 1 de dezembro de 2008

Conto # 522 da Série Milistórias

Antonio Roque Gobbo
Enviado por Antonio Roque Gobbo em 14/11/2014
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