SILÊNCIO ATERRORIZANTE

Célio Guimarães
 
     Depois de quase um ano ela volta para casa, na sua terra natal.
Passou todo esse tempo com o filho em São Paulo. 
Filho único. Toda sua família, de sangue.
 
     Chegou as 17:00. Organizou-se e foi visitar a noiva do filho.
 
     - Alô filho! não sei como te contar. Ainda tô tremendo!
     -Calma mãe. Senta e conta devagar, certo!
     -Tô vindo da casa da meretriz que se diz tua noiva...
    -Diga uma coisa dessa não, mãe. Tanto que a senhora gosta dela. O que houve?
     -Ela tava na calçada. Sentada no batente. Quando me viu, logo correu para dentro de casa. Ainda chamei por ela. Ela me deu com a mão como quem diz - espere aí.
     -Sim mãe. Não me aperrei. O que teve demais nisso?
     -Bucho. De 7 a 8 meses. Por isso que a sem vergonha correu. Mas eu vi. Quando vi comecei a me sentir mal. Voltei de imediato para casa para te deixar a par da situação.  
 
     -Mas que desgraça mãe. Como ela pode fazer isso comigo? Ainda ontem ela dizia que me amava. Como pode mãe - uma desgraça dessa. Que faço mãe. Diz mãe...
Nesse momento a noiva do filho bate palmas à porta da casa. A mãe não vê bucho. Fica parada por instantes.  
       -Alô filho... um instante. Ligo já.
     -Mãe! Mãe! Alô mãe! Ela não fala e ele coloca o telefone no gancho.
 
     -Cadê o bucho? Sem pestanejar, logo pergunta, com a voz cortando e desconfiada de que estava vendo demais.
 
     -Calma! eu explico: Celeste falou-me que uma senhora falou com ela e como ela sabia que era para mim, a visita, entrou para me chamar. Saí. Não encontrei ninguém. Mas a vizinha disse-me que era a senhora. Tomei banho e corri para vir abraça-la e saber de tudo da viagem e de lá. Mas tudo mesmo. Sim. Celeste é irmã gêmea.  Semana passada ela fez contato. Informou que nos conhecia e que queria nos fazer uma surpresa. E fez. Chegou hoje bem cedinho. Quando a vi logo percebi que eramos irmãs. Mamãe confirmou. Fomos separadas com seis meses de idade, logo depois da morte do nosso pai. Agora tenho uma irmã e vou ganhar um sobrinho.
 
-Meu Deus! Espera um minutinho filhinha!
 
     Disca o número do filho... Ele atende.
-Alô filho!
-...Diiiga maaae est... Pleft...
-Alô filho! Alô! Alô... Fala filho... Alô! Alô filho! Alô! Alô...  filho... 
f a l a meu filho!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
Célio Guimarães
Enviado por Célio Guimarães em 08/11/2014
Código do texto: T5027954
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