Espetáculo

A jovem jogou-se nos braços do amado e deixou-se levar por um beijo apaixonado sob uma chuva tenra.

Um “eu te amo” foi dito com alegria.

E então a tele escurece para dar lugar aos agradecimentos. As luzes acendem, acabou o filme.

Algumas pessoas passam por mim até eu decidir me levantar da confortável poltrona, sentia uma certo pesar no coração. Não queria que o filme terminasse.

Não, não era um filme esplendido, era “bonzinho”, apenas mais um romance melodramático de Hollywood. Mas sem dúvida, teria o mesmo sentimento se fosse outro filme.

Assistir a um filme é de fato mais artístico do que produzir um.

Você pouco sabe do elenco, mas envolve-se com os personagem, nada entende de câmeras mas emociona-se com as cenas.

Entra dentro da historia e esquece tudo. Seus problemas, seus defeitos, seus temores, suas falhas, seus julgamentos e até mesmo sua vidinha miserável ao lado de uma pessoa que deixou de amar a séculos, seus três filhos problemáticos que o encaram como um banco ambulante e um cachorro inútil que tem medo de gatos. Esquece daquele cubículo claustrofóbico repletos de regras que chama de trabalho.

Você esquece que deixou de amar, que deixou de realizar seus sonhos por medo. Esquece o quão patético você realmente é.

Nos filmes, tudo é melhor. Não interessa o quão difícil seja, ainda é mais fácil. É mais fácil assistir a vida de outra pessoa do que viver a sua.

É melhor chorar dores que não lhe pertencem e comemorar alegrias que estão longe de serem suas.

É mais interessante.

Quando você senta naquela poltrona macia com o cheiro gostoso da pipoca entrando pelas narinas, você deixa de ser alguém. Você não é nada. Nada além de um espectador.

Mas infelizmente, o filme sempre acaba.

Saí do cinema pensando naquele belo amor, e então voltei para minha ridícula vidinha sem sentido.

Amanda Nunhofer
Enviado por Amanda Nunhofer em 21/03/2014
Reeditado em 25/04/2015
Código do texto: T4738534
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