Dias de visita

O Mancha apareceu novamente. Mesmo sem eu querer, ele percebeu todo atônito a tristeza em mim. Desta vez não consegui mascarar. Novamente ele não se contentou em espezinhar minha desgraça. Quis me ver morto de novo. Ele desejou que meus ossos virassem pó tanto quanto os dele.

Diabos... ele sequer me conheceu... e sua rosa e os espinhos já não lhe pertenciam. Eram (na verdade, foram) elementos do meu mundo, não mais do dele.O ceticismo que construí ao longo dos anos, através das minhas decepções, está sendo demolido aos poucos pelas visões que insistem em querer voltar.

Herdei o maldito nome de um mensageiro. Mas os papéis foram trocados. Tenho apenas sido advertido. E eu sinceramente não quero isso de novo. Não aguento mais...

Como de costume, primeiro o sinal, depois os fatos. Estes dias estranhei os vários ininteligíveis retornos, as não-respostas e os sorrisos tortos passivos direcionados para mim... porque malditos deus e vermes... Tempos de reflexão ausentes há muito. Cada vez mais a cena se repete, viciosamente.

Como nos maus e velhos tempos, o presente do futuro se desfaz. Enquanto os estafilococos me emocionam e sufocam eu pergunto: por que tanto orgulho se o futuro é a morte?

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Este conto faz parte do e-livro "Noites do Jardim", que pode ser acessado pelo link:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/2763869