SEXTO ATO: A CONTRAÇÃO
O dia estava quente,
o céu parecia denso;
Ela se debruçava na leitura dos jornais diários,
separava todos os artigos sobre literatura.
Preparava mais uma aula para adolescentes.
A barriga se contraiu involuntariamente.
Foi tomada de uma dor inexplicável.
Seu vestido manchou-se com aágua quente ensangüentada que escorria perna abaixo.
Apavorou-se por ver aquele sinal.
Sabia do que se tratava, mas se apavorou.
Mais uma vez o ar lhe faltava.
Tentou recobrar as instruções do médico.
Pensou que não havia passado no cartório,
- Como sua vida se organizaria sem uma procuração ?
Pensou impossibilitada de sair do lugar.
Em vão chamou pela mãe,
foi socorrida pelo porteiro da escola.
No caminho para o hospital
entre a respiração cachorrinho e uma nova dor
refazia os cálculos para conferir datas.
Não, não era tempo, constatou.
Aquietou-se momentaneamente,
depois foi invadida por um súbito medo,
irracional. Pensou que talvez morresse.
Via à sua frente imagens trágicas se formarem.
Talvez ela estivesse perdendo o bebê...
Começou a gritar como se as dores tivessem aumentado,
mas era somente o pavor por não saber o que estaria acontecendo.
Chegou e, só, viu gente desconhecida a sua volta.
O frio da maca foi compensado
pela mão quente da enfermeira.
O estetoscópio gelado foi-lhe ao peito
O pinar à barriga.
Dor, mais dor.
Mãos, muitas mãos...
Apertam, apalpam... dedos.
Dor, fisgadas...
- Comprime, expulsa, comprime mais. Ouvia deserientada as orientações que recebia.
- Relaxa, relaxa, relaxa, relaxa....
Dor, comprime, expulsa, relaxa.
Agitação, suor...
- comprime, comprime...
- respira, respira.... comprime... relaxa
Dor.
Dor.
Dor.
Dor...
Suor.
Rompe o ventre uma cabeça.
Alívio,
choro,
riso,
Fez-se vida.
Este é o Sexto Ato do Conto minimanista:
"A vida a dois em atos", escrito em 1980.
Leiam também:
Primeiro Ato: O AMOR
Segundo Ato: O MEDO
Terceiro Ato: A DOR
Quarto Ato: A NÁUSEA
Quinto Ato: O DESPERTAR
seguirá:
Sétimo e Último Ato: A DESCONTRAÇÃO
O dia estava quente,
o céu parecia denso;
Ela se debruçava na leitura dos jornais diários,
separava todos os artigos sobre literatura.
Preparava mais uma aula para adolescentes.
A barriga se contraiu involuntariamente.
Foi tomada de uma dor inexplicável.
Seu vestido manchou-se com aágua quente ensangüentada que escorria perna abaixo.
Apavorou-se por ver aquele sinal.
Sabia do que se tratava, mas se apavorou.
Mais uma vez o ar lhe faltava.
Tentou recobrar as instruções do médico.
Pensou que não havia passado no cartório,
- Como sua vida se organizaria sem uma procuração ?
Pensou impossibilitada de sair do lugar.
Em vão chamou pela mãe,
foi socorrida pelo porteiro da escola.
No caminho para o hospital
entre a respiração cachorrinho e uma nova dor
refazia os cálculos para conferir datas.
Não, não era tempo, constatou.
Aquietou-se momentaneamente,
depois foi invadida por um súbito medo,
irracional. Pensou que talvez morresse.
Via à sua frente imagens trágicas se formarem.
Talvez ela estivesse perdendo o bebê...
Começou a gritar como se as dores tivessem aumentado,
mas era somente o pavor por não saber o que estaria acontecendo.
Chegou e, só, viu gente desconhecida a sua volta.
O frio da maca foi compensado
pela mão quente da enfermeira.
O estetoscópio gelado foi-lhe ao peito
O pinar à barriga.
Dor, mais dor.
Mãos, muitas mãos...
Apertam, apalpam... dedos.
Dor, fisgadas...
- Comprime, expulsa, comprime mais. Ouvia deserientada as orientações que recebia.
- Relaxa, relaxa, relaxa, relaxa....
Dor, comprime, expulsa, relaxa.
Agitação, suor...
- comprime, comprime...
- respira, respira.... comprime... relaxa
Dor.
Dor.
Dor.
Dor...
Suor.
Rompe o ventre uma cabeça.
Alívio,
choro,
riso,
Fez-se vida.
Este é o Sexto Ato do Conto minimanista:
"A vida a dois em atos", escrito em 1980.
Leiam também:
Primeiro Ato: O AMOR
Segundo Ato: O MEDO
Terceiro Ato: A DOR
Quarto Ato: A NÁUSEA
Quinto Ato: O DESPERTAR
seguirá:
Sétimo e Último Ato: A DESCONTRAÇÃO