VERDE-ÁGUA, VERDE-LIMÃO

Ela entrou no quarto vestindo apenas o seu chinelo verde-água, porém, melhor vestida não poderia estar. Fechou a porta e reclamou prontamente do meu cabelo, mesmo com a porta fechada murmurou com medo que os seus pais escutassem.

Ela sempre reclamou do meu cabelo, atribuo isso ao nosso sétimo encontro, quando cortei o cabelo para agradá-la. Coisas de homem. Começo de namoro é sempre o mesmo melaço, o mesmo grude. Lembro que caminhávamos todos os dias após a aula até o parque. Ela levava na sua bolsa uma toalha de mesa azul e uma deliciosa torta de limão, que a sua mãe sempre preparava nas quartas.

Depois do lanche que na verdade era o nosso almoço, cedíamos a cesta com o bucho cheio. Adorávamos admirar o lago, parávamos no parapeito da ponte e cuspíamos só para ter o prazer de ver os peixes famintos nadando desesperadamente. Hoje acho um nojo. Ela desligou a luz, deitou na beira do seu lado da cama, o espaço entre nós era imenso. Pensei em levantar, acender a luz e acabar com tudo. Preferi dormir de barriga para cima, não lembro de ter tido pesadelo, porém seria melhor se tivesse.

Ela acordá-la esplendorosa, os seus cabelos radiavam negros. Vestia uma blusa verde-lima, a minha preferida. Havia 5 semanas que transávamos com a luz apagada, na certa encontraria com algum “ão” naquela manhã.

Desceu rápido as escadas, como a muito não fazia. Comeu torrada com mel. Disse-me que estava enjoada desde segunda. Saiu pela porta da cozinha, seu Cássio atencioso perguntou se eu queria mais café. Disse que não.