O medo é um estado de poesia. - Prosa e Poesia - volumeII - 5 - O espírito do mal (lenda)
5 - O espírito do mal
– Bom, a lenda é assim.
No meio da Floresta Amazônica, viviam os índios Maués. Entre eles, havia um casal jovem, muito feliz e amado pela tribo. Porém, a felicidade do casal era abalada pela tristeza de não terem filhos. Um dia, eles pediram a Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, atendeu-lhes o desejo, trazendo-lhes um lindo menino.
O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom. No entanto, Jurupari, um espírito do mal, que sentia uma extrema inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, decidiu ceifar aquela vida em flor.
Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.
Preocupados com a demora do curumim, vários índios da aldeia partiram rumo a floresta para procurá-lo. Quando encon-traram o menino, todos lamentaram o ocorrido. A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia.
A mãe, que chorava em desespero, recebeu uma mensa-gem de Tupã dizendo que devia plantar os olhos do filho e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos. A mãe entendeu que os raios e os trovões eram a confirmação de Tupã. Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino.
Algum tempo depois, neste lugar, cresceu uma linda plantinha, o guaraná, um fruto de casca vermelha, cujas semen-tes possuem uma cobertura carnosa branca ao seu redor, e deixa à mostra a ponta redonda da semente que é negra, imitando os olhos humanos. É um fruto muito bonito.
– Vó o nome do menino era Curumim?
– Não, Dódi. Curumim é uma palavra de origem Tupi, que significa criança indígena.
– Hmmmm... Entendi. O menino não tinha nome?
– Na lenda não diz.
Indiozinho bondoso
O mau espírito ceifou
Como guaraná poderoso
O olho do menino brotou