Histórias Contadas Por Vovó Tuta - Prosa e Poesia - 19 - É o Pangolim!

É o Pangolim!

O tatu-bola me faz lembrar um bichinho chamado Pangolim. Cheguei a vê-lo uma ou duas vezes na minha época de criança, quando ia visitar o meu avô, lá na África.

O pangolim é encontrado nas regiões tropicais da África. Comporta-se de maneira semelhante ao tatu-bola, enrolando-se totalmente quando se sentem ameaçados; também tem uma armadura, só que a do pangolim é coberta de grandes escamas, ligadas à pele dispostas umas sobre as outras. São parecidas com camadas de telhas, igual ao telhado da casa da vovó.

O exótico animal é considerado um herói na cultura do povo, por ser considerado aquele que ensinou os homens a cobrir os tetos de suas casas. Ele é o único mamífero com esse tipo de proteção. O pangolim é um animal sossegado, desdentado, lento e desengonçado; suas mãos e a forma como sobe nas árvores lembra o bicho-preguiça, mas a cabeça alongada está mais para tamanduá. Ele também se alimenta de formigas e cupins, enfiando sua língua pegajosa nos formigueiros e cupinzeiros. O pangolim têm escamas iguais aos peixes; suas escamas são de queratina, igual às dos répteis. As espécies que têm calda comprida vivem em árvores, igual aos macacos.

- Nossa, vó! Que mistura danada essa de bichos.

- Sim, Juca! É uma mistura de várias espécies. Sua aparência é estranha para nós, mas não para os africanos.

Algumas espécies dormem durante o dia, numa toca profunda, e se alimentam à noite. Sua aparência é muito estranha para um mamífero. Tem gente que o chama de “peixe da floresta”.

- Gostei, vó! Parece até história de ficção. Vou tentar desenhá-lo.

- Isso, Juca, faça um desenho bem bonito.

- E eu vou escrever uma historinha: “O peixe da floresta”.

- Quero só ver, Dórodi. Vai ficar uma história fantástica. - comentou vovó.

Os moçambicanos o chamam de halakavuma. Dizem que o animal nunca é visto mais de uma vez no mesmo ano e lugar e quando ele aparece, é para trazer alguma mensagem boa ou ruim. Às vezes, vem avisar o excesso ou a falta de chuva, que por sua vez pode trazer fome ou fartura de comida para o povo daquela região. Quando o animal é visto por alguém, o povo sempre faz uma grande festa com danças, para desvendar a mensagem trazida pelo halakavuma.

- Sabe de uma coisa, vó? Dessa vez, não vai ter quadrinha, vai ter um adivinha. Só um não; um montão.

- O que é que é? - gritou bem alto o Juca.

- Tem escamas e não é réptil e nem peixe?

- Sobe e mora na árvore e não é macaco?

- Tem a língua comprida e pegajosa, come formiga e cupim e não é tamanduá?

- Tem armadura e vira bola e não é tatu?

- É desengonçado e anda muito devagar e não é o bicho-preguiça?

- O que é que é? - berrei.

Juca pegou a tartaruga e disse:

- É a MONALISA!!!

- NÃO!!!

Eu peguei o meu gato e gritei:

- É O DODÔ!!!

- NÃO!!!

- O que é que é? - Vovó Tuta falou.

- É O PANGOLIM!!! - gritamos todos ao mesmo tempo e demos muitas risadas.

Peixe da floesta

é o pangolim

acha que é poeta

E faz fi-ri-fi-fim